Juros da dívida de Espanha no valor mais alto desde a criação do euro

12 de junho 2012 - 18:00

O resultado do resgate a Espanha parece ter sido exatamente o inverso do anunciado por Mariano Rajoy. Longe de diminuir a incerteza e a pressão sobre Espanha, fez disparar a dívida pública do país para o valor mais alto desde a criação do euro.

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Os juros da dívida espanhola atingiram hoje, três dias depois do anúncio do resgate de 100 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde a criação do euro.

Longe de ser “uma vitória do euro” e dissipar as incertezas sobre o futuro da economia espanhola, como anunciou Mariano Rajoy no domingo, Os juros da dívida dispararam, atingindo 6,8 por cento na maturidade a 10 anos, ultrapassando o anterior máximo de 6,78 atingido em 17 de Novembro do ano passado.

As maiores subidas, no entanto, registaram-se nos prazos mais curtos. No prazo a dois anos, os juros subiram para 4,912 por cento e na maturidade de três anos chega agora aos 5,670 por cento.

A subida dos juros da dívida resulta do reconhecimento que o resgate ao sistema bancário vai ter impacto direto no crescimento do défice e da dívida pública espanhola. Com efeito, embora ainda subsistam muitas dúvidas sobre o alcance e a natureza das condições do resgate, já é claro que o plano vai resultar na transferência para os cofres públicos dos custos de recapitalização da banca.

A pressão sobre a dívida soberana espanhola cresceu ainda com a redução, pela agência de notação Ficth, do rating dos maiores bancos do país vizinho, o Santander e BBVA. Considerando que existe a possibilidade de deterioração das carteiras de crédito, a Ficth desceu ainda a notação a 18 entidades financeiras e prevê que o governo de Mariano Rajoy não será capaz de cumprir as metas de défice.

Na semana passada, esta agência de notação já tinha descido o rating do Estado Espanhol para BBB.