A notícia foi avançada esta segunda-feira pela Agência Nacional do Myanmar, controlada pela Junta Militar. Além de Phyo Zeya Thaw e Kyaw Min Yu, foram também executados Hla Myo Aung e Aung Thura Zaw, acusados de matar uma mulher que suspeitavam ser uma informadora militar em Yangon.
O relator especial da ONU, Thomas Andrews, disse estar “indignado e devastado” pelas execuções. “Os assassinatos generalizados e sistemáticos de manifestantes, ataques indiscriminados contra aldeias inteiras e agora a execução de líderes da oposição exigem uma resposta imediata e firme dos Estados membros das Nações Unidas”, defendeu.
A França e o Japão também condenaram as execuções, e o conselho de segurança nacional dos EUA descreveu os assassinatos como “hediondos”.
Aung Myo Min, ministro dos direitos humanos do governo de unidade nacional de Myanmar (NUG), formado no exílio por políticos eleitos, representantes de minorias étnicas e ativistas, questionou: “O que mais precisamos para provar o quão cruel são os militares assassinos de Myanmar?”. Já Yee Mon, ministro da Defesa do NUG, escreveu no Facebook: “Esta revolução não terminará até que façamos justiça contra [o chefe da junta] Min Aung Hlaing. Ele não terá um centímetro de terra para correr, vamos persegui-lo até o fim do mundo”.
De acordo com o The Guardian, após o anúncio das execuções, manifestantes em Yangon ergueram uma faixa que dizia “nunca teremos medo”. Outra faixa foi pendurada numa ponte em Yangon com um aviso de que a junta deveria “estar pronta para pagar a dívida de sangue”. “RIP Zeyar Thaw, Jimmy, Hla Myo Aung e Aung Thura”, lia-se ainda na estrutura.
Desde que a Junta Militar de Myanmar tomou o poder num golpe em fevereiro de 2021, já foram presas cerca de quinze mil pessoas. De acordo com a AAPP Burma (Assistance Association for Political Prisoners), sedeada na Tailândia, 76 prisioneiros foram condenados à morte desde o golpe, incluindo duas crianças. Outras 41 pessoas foram condenadas à morte à revelia. Antes das execuções de segunda-feira, Myanmar não cumpria a pena capital há mais de 30 anos.