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Julgamento da extradição de Assange começa esta segunda-feira

O julgamento da extradição do fundador da wikileaks para os EUA começa esta segunda-feira em Londres. Se for extraditado, poderá ser condenado a 175 anos de prisão. Amnistia e Repórteres Sem Fronteiras defendem Assange, em Barcelona realiza-se manifestação.
Manifestação realizada em Londres contra a extradição de Assange para os EUA, 22 de fevereiro de 2020 – Foto de Vickie Flores/Epa/Lusa
Manifestação realizada em Londres contra a extradição de Assange para os EUA, 22 de fevereiro de 2020 – Foto de Vickie Flores/Epa/Lusa

Esta segunda-feira, 24 de fevereiro, começa a ser julgado o pedido de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, pela juíza Vanessa Baraitser do tribunal de Westminster. O julgamento decorrerá durante esta semana, depois será interrompido e recomeçará em 18 de maio, prevendo-se que dure três semanas e que a sentença seja lida em junho. A primeira parte do julgamento será dedicada à discussão das motivações políticas e ao possível abuso processual da acusação norte-americana ao fundador da wikileaks.

A defesa de Julian Assange é coordenada pelo antigo juiz espanhol Baltasar Garzón e vai, em primeiro lugar, argumentar que as acusações dos Estados Unidos são políticas e, como tal, estão fora do tratado de extradição entre o Reino Unido e os EUA. A fundamentação de que as acusações são políticas estão no facto de Assange ser jornalista e ter denunciado crimes de guerra cometidos pelos EUA no Iraque e no Afeganistão.

“A implacável perseguição pelo governo dos EUA a Julian Assange, devido à publicação de documentos que incluíam possíveis crimes de guerra cometidos pelas forças armadas norte-americanas, não é nada menos do que um ataque em larga escala ao direito à liberdade de expressão”

Os advogados vão também levantar a questão do estado de saúde de Assange, questionando se o seu estado debilitado lhe permite enfrentar um julgamento nos Estados Unidos.

A juíza terá ainda de se debruçar sobre a denúncia feita por um advogado de Assange, que declarou que Trump lhe terá oferecido um perdão em troca de uma declaração de que a Rússia não estava envolvida no roubo dos e-mails do Partido Democrata, durante a campanha presidencial de 2016. A Casa Branca negou o facto, porém o advogado Edward Fitzgerald diz que tem provas e a juíza aceitou-as. (ver notícia do esquerda.net)

Se Julian Assange for extraditado para os Estados Unidos, enfrenta 18 acusações, incluindo a de conspirar para entrar em computadores, e poderá ser condenado a uma pena de prisão de até 175 anos. Se perder nesta primeira instância, a defesa do fundador da wikileaks pode recorrer para o Supremo Tribunal britânico e para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

A Amnistia Internacional pede um ponto final nas acusações e na extradição de Assange. “A implacável perseguição pelo governo dos EUA a Julian Assange, devido à publicação de documentos que incluíam possíveis crimes de guerra cometidos pelas forças armadas norte-americanas, não é nada menos do que um ataque em larga escala ao direito à liberdade de expressão”, declara o diretor-adjunto para a Europa da Amnistia Internacional, Massimo Moratti.

Manifestação em Barcelona esta segunda-feira

No sábado passado, centenas de pessoas desfilaram em Londres transportando faixas com palavras de ordem como “Não extraditem Assange" ou "O jornalismo não é crime". Junto à residência do primeiro-ministro gritaram “Boris Johnson, tem vergonha". Entre os manifestantes estavam Yanis Varouflakis, Roger Waters e a estilista Vivienne Westwood.

Uma petição dos Repórteres Sem Fronteiras contra a extradição de Assange já recolheu mais de 43.000 assinaturas.

A Assembleia Nacional Catalã (ANC) convocou para esta segunda-feira, 24 de fevereiro, uma concentração contra a extradição para os EUA do fundador da wikileaks para as 19h30 na praça da Universidade de Barcelona. A concentração conta com o apoio da CUP e da ERC. Segundo a ANC, no outono de 2017, Assange manifestou o seu apoio "ao direito à autodeterminação da Catalunha".

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