Entrevista

José Moreira: “Unidade na ação é decisiva para parar a contrarreforma laboral”

05 de dezembro 2025 - 14:17

Em entrevista ao Esquerda.net, o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior diz que se o pacote laboral não for travado, os primeiros afetados serão os investigadores e docentes com contratos de direito privado.

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José Moreira
José Moreira, Imagem RTP

Como está a vossa organização a mobilizar para a greve geral?


O trabalho de mobilização para a greve começou na direção há semanas. Apesar da adesão unânime da direção do SNESUP, decidimos levar a questão ao conselho nacional, o órgão máximo do sindicato e onde têm assento os eleitos pelas diferentes secções sindicais de todo o território nacional. Tomámos esta opção porque era muito importante que a decisão fosse sufragada por um coletivo alargado e plural. 

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O SNESUP é um sindicato independente que representa professoras e professores do ensino superior e também as pessoas que se dedicam à Investigação Científica. Pela sua natureza, em todos os órgãos estão presentes pessoas de todo o espectro filosófico e politico, pelo que importa dar conta que a declaração de greve, convergente com a greve geral, foi tomada por unanimidade, o que não é coisa de pouca importância.

Aprovada a greve, houve um trabalho coletivo para elaborar um pré-aviso que conjuga as aspirações das pessoas que trabalham na Ciência e no Ensino Superior com a pauta da greve geral convocada pelas duas centrais sindicais.

Tendo sido a fundamentação da greve construída por consenso, estamos agora na fase de mobilizar sócios e não sócios para aderirem à greve. E estamos também a promover a organização de plenários unitários em todas as escolas e centros de investigação. Apontamos ainda para a necessidade de as pessoas que representamos se somarem às várias concentrações unitárias que esperamos virem a acontecer em  todo o país.

De que forma particular esta contrarreforma afetaria os trabalhadores que representam?

O pacote "Trabalho XXI", se não for travado, afetará de imediato os investigadores e docentes com contratos de direito privado – o que, além das instituições privadas, também acontece nas instituições do regime fundacional. Para aqueles que estão contratados ao abrigo da lei de trabalho em funções públicas, os efeitos chegarão tanto pelo facto do Código de Trabalho ser supletivo, como pelo facto de que, se este pacote for aprovado, de imediato cabe esperar alterações similares para os servidores públicos.

Enquanto sindicato independente, como valorizam a unidade na ação CGTP/UGT e de várias organizações independentes nesta greve geral?

A unidade na ação entre as diversas organizações que representam as trabalhadoras e os trabalhadores e ainda com outras organizações e movimentos é decisiva para parar a contrarreforma, e constitui um passo decisivo para reforçar a consciência da ação coletiva que se alicerça na solidariedade que se cria no momento da greve geral.

A unidade conseguida alegra os trabalhadores e é um abre olhos para as diversas organizações, se formos capazes de aprender com esta extraordinária movimentação. O SNESUP procurará estar à altura do desafio. Juntos podemos parar a contra-reforma, juntos podemos conseguir o que dizem ser impossível.