José Luís d’Espiney nasceu no dia 27 de maio de 1937 e deixou de estar (apenas fisicamente) na nossa companhia no dia 28 de fevereiro de 2026. A sua memória e o seu espírito de luta pela liberdade estarão, no entanto, sempre connosco, na nossa presença e na nossa companhia.
Seus pais, Cláudio Sérgio d’Espiney e Sara Pires Carvalho d’Espiney, foram em 1936, estabelecer-se em Moçambique, em busca de uma vida melhor.
Cláudio Sérgio d’Espiney, enquanto Professor de Matemática, fundou na Beira um colégio que seria a única escola laica da cidade, a qual seria, alguns anos mais tarde, encerrada e o seu fundador e proprietário proibido de ensinar. Ver-se-ia, por isso, obrigado dar aulas particulares de Matemática para conseguir sobreviver.
Em 1964 viu-se obrigado a regressar a Portugal, pela necessidade de dar apoio ao seu filho José Luís, preso, entretanto, pela PIDE. Aliás, em 1966, Cláudio Sérgio d’Espiney, viria a ter presos, simultaneamente, três filhos (José Luís, Sérgio e Rui).
A participação ativa de José Luís (e dos outros irmãos d’Espiney) na campanha eleitoral de Humberto Delgado, em 1958, terá sido uma das primeiras ações políticas mais importantes, tendo um deles sido, inclusivamente, ferido pela polícia de choque numa manifestação.
Em 1962, José Luís d’Espiney e seus irmãos participaram ativamente na organização e coordenação da histórica manifestação do 1º de maio, que decorreu, sobretudo, na Baixa de Lisboa e marcou uma profunda radicalização das posições políticas de certos setores oposicionistas ao regime fascista que então governava o País.
Em 1964, José Luís viria a participar em organizações como a FAP (Frente de Ação Popular) e o CMLP (Comité Marxista Leninista Português), cuja Direção era integrada por Francisco Martins Rodrigues, Rui d’Espiney (seu irmão) e Pulido Valente. A FAP era uma organização de massas e tinha como objetivo primeiro promover a unidade na luta antifascista; o CMLP tinha por função o combate ideológico à direção do PCP, afirmando um novo Programa político e visando a longo prazo, uma reunificação das várias organizações que lutavam contra o regime fascista e pela liberdade.
O jornal teórico “Revolução Popular” ter-se-á tornado o principal órgão de luta ideológica e de afirmação política do CMLP.
Durante o processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril, José Luís d’Espiney continuou a ação política em luta pelos seus ideais de sempre. Foi militante do CARP (Comité de Apoio à Reconstrução do Partido), participou na criação da UDP e fez parte do movimento de reunificação dos militantes marxistas-leninistas.
Em suma:
José Luiz D'Espiney viveu e cresceu no seio de uma família de livres pensadores que no decurso de cerca de 5 gerações se mantém fiel na defesa dos valores da liberdade, do humanismo e do ateísmo. Passou vários anos na cadeia, por ter lutado contra a ditadura do jesuíta Salazar. Viveu na clandestinidade, tanto em Portugal como no estrangeiro, regressando a Portugal após a queda do fascismo, a 25 de Abril de 1974. Em 1979 sai de novo do país. Rumou primeiro a Itália e depois à Dinamarca, onde casou com uma dinamarquesa, de quem teve o seu filho Bruno d’Espiney. Antes do filho Bruno nascido na Dinamarca, tinha (tem) em Portugal outro filho, o João d’Espiney.
ATÉ SEMPRE GUERREIRO, LUTADOR, IRMÃO E AMIGO JOSÉ LUÍS D’ESPINEY!