Jornalista do Expresso agredido em evento com André Ventura

16 de janeiro 2024 - 22:07

O jornalista tinha-se identificado e vários jovens presentes num debate na Universidade Católica Portuguesa agrediram-no. A intimidação continuou depois de ter sido arrastado para fora da sala.

PARTILHAR
Expresso. Imagem Wikimedia Commons.
Expresso. Imagem Wikimedia Commons.

O jornal Expresso noticia que um jornalista seu foi agredido na tarde desta terça-feira numa conferência em que participava André Ventura e que tinha sido organizada por associações de estudantes da Universidade Católica Portuguesa.

De acordo com este meio de comunicação social, o evento tinha sido comunicado pela assessoria de imprensa do Chega, havendo a informação de que, “segundo indicações da Universidade", "não seriam permitidas câmaras dentro do auditório”, o que foi cumprido.

O jornalista em questão foi autorizado a entrar e a sua presença era do conhecimento da assessoria de imprensa do partido de extrema-direita. Passados dez minutos do líder do Chega começar a falar, o profissional “foi abordado por um jovem que lhe transmitiu que não podia estar presente”, escreve o Expresso, acrescentando que então “o jornalista voltou a identificar-se, tal como tinha feito à porta do auditório”. A esta seguiu-se uma segunda interpelação e, à terceira, tentou pedir esclarecimentos aos assessores do partido e ao próprio André Ventura. “Foi nesse momento que jornalista foi agredido: dois dos jovens prenderam os seus movimentos, agarrando-o pelos pés e pelos braços, forçando a sua saída do evento – deixando todo o equipamento de trabalho na sala, incluindo o computador profissional”.

O Expresso informa ainda que “uma vez fora da sala, a intimidação continuou” e que “só depois da intervenção de um dos assessores de André Ventura o equipamento foi devolvido”.

Para além disso, Luc Mombito, apresentado como “segurança pessoal de André Ventura”, dirigiu-se em seguida ao jornalista, “perguntando-lhe de forma agressiva se este precisava “de mais alguma coisa para se sentir melhor”.” Este “foi travado pelo assessor de imprensa do Chega, e o jornalista abandonou o local, acompanhado pelo assessor do partido”.

Numa nota ao artigo, o Expresso diz que “repudia qualquer forma de coação e constrangimento ao trabalho jornalístico e tomará as devidas ações, de forma a apurar responsabilidades e impedir que atos deste tipo voltem a acontecer”, manifestando “inequívoco apoio ao seu jornalista, que foi impedido de realizar o seu trabalho livremente”.