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João Rendeiro acusado pelo Ministério Público

O Ministério Público deduziu acusação, no âmbito da investigação ao Banco Privado Português, a João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e António Paulo Guichard. Os gestores bancários são acusados de “burla qualificada em co-autoria”. João Rendeiro terá diluído prejuízos com ações do BCP nas contas poupança dos clientes do banco.
O apoio público ao BPP foi anunciado no mesmo dia em que João Rendeiro apresentava o seu livro, sugestivamente intitulado "Joâo Rendeiro, testemunho de um banqueiro: a histórica de quem venceu nos mercados".

O Ministério Público encerrou a investigação num dos processos que fazem parte do chamado “Caso BPP”, a 8 de Fevereiro, proferindo despacho de acusação contra o presidente do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, e dois administradores deste banco, Salvador Fezas Vital e António Paulo Guichard. Os três administradores bancários são acusados da prática do crime de “burla qualificada, em co-autoria”.

Iniciado em Fevereiro de 2010, e agora concluído pelo Ministério Publico, o inquérito incidia sobre a forma como a gestão do Banco Privado procedeu em 2008 a uma operação de aumento de capital, realizada através do veículo de investimento “Privado Financeiras”. De acordo com uma nota da Procuradoria Geral da Distrital de Lisboa, estima-se que essa operação tenha gerado prejuízos a uma centena de clientes da instituição bancária, num valor contabilizado de 41 milhões de euros.

A “Privado Financeiras” foi uma sociedade veículo criada por João Rendeiro, em 2007, para comprar ações do BCP, no período em que se desenrolava uma luta de poder para garantir o controlo acionista deste banco. Depois de investir 200 milhões de euros nesta operação, o BPP ficou com participação de 2% no BCP.

João Rendeiro chegou mesmo a garantir, à altura, que se preparava para alargar essa participação até aos 5%. A queda abrupta e continuada das ações do BCP, depois do auge da luta pelo poder da instituição, gerou um buraco nas contas do BPP que levou João Rendeiro a solicitar a intervenção do Estado um ano depois desta operação.  O apoio público ao BPP foi anunciado no mesmo dia em que João Rendeiro apresentava o seu livro, sugestivamente intitulado "Joâo Rendeiro, testemunho de um banqueiro: a histórica de quem venceu nos mercados".

De acordo com um dos antigos administradores do Banco Privado Português, Fernando Lima, João Rendeiro terá diluído os prejuízos desta operação nas contas dos clientes do BPP. Quando o valor das ações do BCP começou a cair a pique (chegaram a valer 3 euros e estão, atualmente, nos 10 cêntimos), o presidente do BPP terá “maquilhado” as contas repartindo o prejuízo pelas contas de clientes com produtos de “retorno absoluto”, a quem garantia que a carteira de investimentos estava a desvalorizar. A denúncia, efetuada no seguimento do processo que o Banco de Portugal tem contra o BPP, foi hoje divulgada pelo Correio da Manhã.

A investigação do Ministério Público, agora concluída, iniciou-se depois de um grupo de clientes ter apresentado queixa contra o BPP, considerando que o banco fez uma interpretação abusiva dos contratos das suas poupanças.  

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