Japão: Licenciados sem emprego

23 de maio 2010 - 11:48

Dados oficiais indicam que 31 mil licenciados das universidades não conseguiram encontrar trabalho na segunda economia do planeta. Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net.

PARTILHAR
Universidade de Nihon. Foto de Danny Choo, FlickR

No Japão, onde o ano fiscal começa em Abril, é normal que estudantes formados pelas universidades ingressem no mercado de trabalho neste mês.

Em Abril passado, 31 mil, de um total de 375 mil licenciados das universidades não conseguiram encontrar trabalho. Isso representou um índice de emprego de 91.8%. Em 2000, que foi o pior ano nesse sentido, apenas 91.1% o conseguiram. São dados fornecidos pela pesquisa conjunta dos Ministérios da Saúde, Trabalho e Bem-estar e da Educação, Ciência e Tecnologia, anunciada esta semana.

Poder-se-á dizer que é um índice de emprego bastante alto. E isso não deixara de ser verdade se compararmos com dezenas de países, sejam desenvolvidos ou subdesenvolvidos.

Mas, o que esta por trás destes números?

Em primeiro lugar, o facto de que a segunda economia do planeta não consegue absorver essas 31 mil pessoas, significa que as coisas não estão bem por aqui. Isso é produto directo da ultima crise desencadeada pelo efeito Lehman Brothers em 2008. Em segundo lugar, que as empresas japonesas não estão a ver a possibilidade de as coisas melhoram a curto, médio ou mesmo longo prazo, já que a não contratação de jovens hoje, significa que, no futuro, eles podem fazer falta, pois treinar pessoas pode levar anos e não se consegue profissionais qualificados da noite para o dia com facilidade. O que pode levar a consequências nefastas no futuro.

Se se multiplica 31 mil por vários familiares e amigos, que estão em volta, já se torna um número muito maior e isso tem repercussões profundas na sociedade japonesa.

A formatura de um licenciado é quase um esforço de uma vida para um casal japonês, já que consome, como nos demais países, cerca de 20 anos de dedicação. É um choque para o formando, para os pais, para os avós e amigos, já que coloca a nu a fragilidade da situação, coisa que os japoneses ainda não estão tão acostumados. O que deveria ser a coroação de uma longa batalha, transforma-se numa grande frustração social.

Isso provoca também um profundo sentimento de pessimismo entre a juventude, já que, para qualquer jovem, fica evidente que, se mesmo graduados das melhores universidades estão a ter dificuldades, como não será para eles, que sequer têm esse nível escolar. Mas é um pessimismo que se estende para todas as esferas da sociedade japonesa. É difícil de explicar, e realmente é um absurdo que isso possa acontecer na segunda economia mundial. Mas é o que nos da certeza de que, infelizmente, dias piores virão.