Em agosto, promotores de Agrigento, na Sicília, colocaram Salvini sob investigação após o líder da Liga ter impedido os 177 migrantes acolhidos pelo navio guarda-costeiro italiano Ubaldo Diciotti de desembarcar no país. Conforme avança o Guardian, a embarcação esteve atracada durante seis dias no porto siciliano de Catania, enquanto o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior de Itália mantinha um impasse com a União Europeia na tentativa de pressionar outros países membros a acolherem os migrantes.
Salvini já garantiu que não tem medo e que não irá mudar “um centímetro da sua posição”. "Se o que eu fiz significa que sou um sequestrador", então “pode considerar-me um sequestrador nos próximos meses", vincou.
Tratando-se de um ministro do governo, as acusações contra o líder do partido de extrema-direita serão apresentadas a parlamentares ou senadores, que votarão para que este seja julgado ou para que o processo seja suspenso.
Salvini afirma estar confiante do apoio dos senadores do seu partido. Já o apoio do seu parceiro de coligação, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), é menos garantido, na medida em que um dos princípios fundadores do M5S sempre foi pedir a renúncia de políticos sob investigação.
Até 2018, esse princípio integrava, inclusive, os estatutos do próprio Movimento. Há dois anos atrás, Luigi Di Maio, vice-primeiro-ministro italiano e líder do M5S, pediu a renúncia de Angelino Alfano, ministro do Interior à época, que estava sob investigação por abuso de poder.
Di Maio foi peremptório: “Não podemos permitir que um ministro do Interior sob investigação permaneça no poder. Alfano deve renunciar”.
Assim sendo, caso resgate Salvini de uma possível condenação, o M5S arrisca-se a perder a credibilidade entre os seus votantes.