Itália: Prisão de autarca acusado de favorecimento à imigração clandestina gera indignação

04 de outubro 2018 - 15:50

A prisão de Domenico Lucano, presidente da Câmara de Riace, Itália, sob acusação de favorecimento à imigração clandestina, tem gerado uma onda de indignação nas redes sociais e motivado protestos em praças de diversas cidades italianas.

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#IoStoConMimmoLucano e #IoStoConRiace são algumas das hashtags que circulam nas redes sociais em apoio a Domenico Lucano. Os protestos também se alastraram às praças de diversas cidades italianas.

Reagindo à detenção de Lucano, na passada terça-feira, o ministro do Interior de extrema-direita Matteo Salvini, celebrou a prisão do autarca, referindo que a mesma serviria de exemplo a outros, como e disse que serviria de exemplo a outros, como o escritor Roberto Saviano.

Na sua página de facebook, a eurodeputada Marisa Matias também reagiu na sua conta de twitter, garantindo que “Riace não se rende”.

A Esquerda Unitária/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), grupo em que o Bloco de Esquerda se integra, escreveu, por sua vez, que condena “veementemente a prisão do autarca de Riace, Domenico "Mimmo" Lucano, na Itália”.

“O prefeito Lucano e o 'modelo Riace' são um exemplo de integração e civilização para o resto do mundo. Solidariedade não é crime!”, escreve o GUE/NGL.

Já o escritor Roberto Saviano destacou num vídeo para a RepubblicaTv que [Luscano] "é culpado apenas de salvar vidas humanas, vidas de migrantes. A acusação é facilitar a imigração ilegal: nos atos do promotor de Locri não há uma única referência a uma vantagem pessoal do prefeito".

Saviano escreveu ainda no facebook que “Mimmo Lucano [como é conhecido informalmente] está sob prisão domiciliária. A motivação é a imigração ilegal. A verdade é que Lucano nunca age pelo lucro, mas sim pela desobediência civil”.

“Esta é a única arma que temos para defender não só os direitos dos imigrantes, mas os direitos de todos”, defendeu.

“Este governo está a dar o primeiro passo na definitiva transformação de Itália de democracia a estado autoritário”, acrescentou.