Israel toma o controlo do navio "Rachel Corrie"

05 de junho 2010 - 12:38

Militares israelitas subiram a bordo do navio irlandês que se dirigia para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária. Já se conhecem os resultados das autópsias às vítimas do recente e violento ataque israelita à “Frota da Liberdade”.

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O navio fazia parte da pequena frota com activistas pró-palestinianos que Israel impediu de chegar a Gaza com um ataque sangrento em águas internacionais, na segunda-feira passada. Foto EPA.

Os militares não terão enfrentado qualquer resistência da tripulação do navio que transportava mil toneladas de ajuda para Gaza. "As nossas tropas subiram a bordo do navio e assumiram o controlo sem resistência por parte da tripulação e dos passageiros. Tudo se passou sem violência", precisou uma porta-voz militar à agência AFP.

O "Rachel Corrie", que foi interceptado em águas internacionais, está a ser levado para o porto israelita de Ashdod.

As autoridades israelitas ameaçaram, esta sexta-feira, que iriam impedir que o navio irlandês com ajuda para a Faixa de Gaza chegasse a este território. «Indiquei ao director-geral do ministério irlandês dos Negócios Estrangeiros que o navio não poderá ir para Gaza sem ser inspeccionado previamente», explicou o chefe da diplomacia israelita, falando sobre o navio Rachel Corrie. Em declarações ao primeiro canal da televisão israelita, Avigdor Lieberman frisou que «vamos parar este navio e qualquer outra embarcação que tente violar a soberania de Israel» e que «não há hipótese» de o Rachel Corrie aportar em Gaza.

Em declarações à agência Associated Press, a Prémio Nobel da Paz irlandesa Mairead Corrigan, que está a bordo deste navio, confirmou ainda na sexta-feira que os activistas não iriam oferecer resistência caso as autoridades israelitas entrassem na embarcação. «Vamos ficar sentados, eles provavelmente vão-nos prender. Mas não haverá resistência», acrescentou Corrigan, que está integrada nesta iniciativa do movimento Gaza Livre.

Transportando 15 pessoas, de nacionalidade irlandesa e da Malásia, o navio Rachel Corrie leva mil toneladas de ajuda humanitária a bordo, segundo os organizadores da viagem. Entre os activistas encontra-se também o irlandês Denis Halliday, antigo adjunto do secretário-geral da ONU. O navio tem o nome de uma activista britânica morta em 2003 por um bulddozer israelita na Faixa de Gaza quando tentava impedir a demolição de casas palestinianas.

O navio fazia parte da pequena frota com activistas pró-palestinianos que Israel impediu de chegar a Gaza com um ataque sangrento em águas internacionais, na segunda-feira passada. A embarcação teve um problema técnico que os organizadores da acção pensam poder ter sido sabotagem.

Autópsia revela que vítimas da “Frota da Liberdade” foram alvo de 30 disparos

O jornal "The Guardian" revela entretanto que os resultados da autópsia realizada aos nove activistas mortos segunda-feira na abordagem ao Mavi Marmara, o navio turco que encabeçava a frota pró-palestiniana. Segundo os exames, realizados a pedido do Ministério da Justiça turco, os nove homens foram atingidos por um total de 30 disparos e cinco dos activistas que perderam a vida foram atingidos na cabeça a uma distância muito curta.

O jornal inglês assegura que um jovem de 19 anos, Fulkan Dogan, que tinha também nacionalidade americana, morreu depois de ser atingido por cinco tiros a menos de 45 centímetros de distância, na cara, e na parte posterior da cabeça, dois nas pernas e um nas costas. Outro ativista, Ibrahim Bilgen, de 60 anos, foi morto com quatro tiros na cabeça, tórax, quadris e costas.

Outros dois homens morreram depois de atingidos por quatro balas e outras cinco vítimas pereceram ao serem baleadas nas costas e na parte posterior da cabeça, revelou Yalcin Buyuk, vice-presidente do Conselho turco de Medicina Forense, citado pelo diário britânico.

Segundo Yalcin Buyuk, vice-presidente do conselho de medicina forense turco, que realizou as autópsias, muitos dos disparos foram efectuados à queima-roupa, a nove milímetros.

Patel, testemunha do ataque, explicou que os soldados disparavam uma vez por minuto e para cada pessoa, que 48 pessoas estão feridas e outras seis continuam desaparecidas pelo que o número de mortos provavelmente irá subir.

Israel defende, por sua vez, que entre os activistas estavam mais de 100 terroristas ligados a grupos da jihad e à Al Qaeda, que procuravam um fim político de romper o bloqueio à Faixa de Gaza e não um fim humanitário.