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Israel: Protesto inédito ameaça Netanyahu

Começou por ser um protesto no Facebook contra o aumento do custo de vida e o acesso dos jovens à habitação. Inspirado nas acampadas europeias e nas revoluções árabes, o movimento juntou este fim de semana mais de 150 mil pessoas em manifestação contra o governo. E ganhou a solidariedade da maioria dos municípios, que entraram em greve.
Mais de 150 mil pessoas manifestaram-se contra o governo de Netanyahu no sábado à noite.

Depois de acamparem duas semanas em praças de várias cidades israelitas, os activistas convocaram uma manifestação de protesto na noite de sábado, pela justiça social e contra a política económica do governo. O que começou por ser um protesto contra os preços proibitivos da habitação, acabou por juntar muitos sectores em luta contra os cortes na despesa pública, como os médicos que estavam há vários meses em greve.

O movimento é já considerada a maior ameaça ao governo da extrema-direita liderado por Netanyahu, que foi pressionado para cancelar o período de férias parlamentares durante esta crise. Os acampados têm o apoio esmagador da população em todas as sondagens, o que terá contribuído para que o governo apresentasse uma proposta para apoiar a construção de fogos para arrendamento a preço controlado e dar descontos aos jovens nos passes dos transportes. Alguns membros do movimento rejeitaram a proposta, que consiste em diminuir o preço dos terrenos para os construtores, na esperança que estes transfiram o desconto para os jovens arrendatários.

"Quem é que vai ter terra de graça? Será o povo de Israel?", perguntou Daphni Leef, a mulher que deu início ao protesto das tendas, citada pelo Haaretz. "São os construtores, os ricos, quem irão construir de borla. É isso que Netanyahu está a propor como habitação acessível". Quanto à proposta de descontos nos transportes, Daphni vê-a como uma forma de dividir o movimento. "Porquê só aos jovens? Então e os idosos? Rejeitamos essa proposta", acrescentou.

O diário israelita informa ainda que muitas autoridades municipais do país resolveram apoiar os protestos entrando em greve esta segunda-feira. Mais uma dor de cabeça para Netanyahu, que viu no fim de semana o director-geral do ministério das Finanças demitir-se em protesto contra a desorganização na resposta à crise, responsabilizando o ministro que o tutelava e o próprio primeiro-ministro.

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