Segundo o jornal Público, a detenção ocorreu à hora de almoço junto da Câmara Municipal de Oeiras, na sequência do mandato emitido pela juíza titular do processo no Tribunal de Oeiras. O último recurso de Isaltino Morais no Tribunal Constitucional foi rejeitado em março e com essa decisão o Tribunal de Oeiras ficou encarregue de fazer cumprir a sentença que condenou o autarca de Oeiras.
Isaltino começou por ser condenado em 2009 a sete anos de prisão por causa dos depósitos em contas na Suíça no valor de 1,1 milhões de euros não declarados ao fisco. Um ano depois, o Tribunal da Relação absolveu-o dos crimes de corrupção passiva e abuso de poder e manteve os de fraude fiscal e branqueamento de capitais, reduzindo a pena para dois anos de prisão e a indemnização a pagar ao Estado para 197 mil euros.
Seguiram-se dezenas de recursos e reclamações interpostas pelo autarca condenado, mas a Justiça foi rejeitando um atrás do outro. Com estas manobras dilatórias, Isaltino conseguiu manter-se à frente da Câmara mais três anos, apesar de ter sido detido em setembro de 2011 por apenas um dia, até que a juíza descobriu que havia ainda um recurso para ser apreciado pelo Tribunal Constitucional, que suspendia a execução da sentença.
Nos 44 recursos apresentados, Isaltino gastou mais de 133 mil euros só em taxas de justiça, pareceres encomendados a penalistas e devolução do IRS entre 2001 e 2003. A esta soma há que acrescentar os honorários dos seus advogados durante o longo processo, cujos valores não foram revelados. Segundo o jornal i, mais de metade destes recursos foram interpostos após a curta passagem de Isaltino pela prisão.