Investimento na Educação recuou onze anos

10 de abril 2013 - 16:24

O relatório anual do Conselho Nacional de Educação denuncia a quebra no investimento educativo do país no ano passado, que recuou a níveis equivalentes ao de 2001. E sublinha que os dados ainda não refletem os efeitos da crise na Educação em Portugal.

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Foto Paulete Matos.

A introdução do relatório é assinada pela presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). Ana Maria Bettencourt não esconde a "preocupação" por estarmos a assistir a "uma diminuição significativa do investimento no setor da Educação, traduzida na redução dos meios financeiros e dos seus recursos humanos".

Para além da despesa com Educação ter caído para os níveis de 2001 (era nessa altura de 5% do PIB e no ano passado foi de 4,6%), os investigadores do CNE assinalam ainda o "decréscimo de verbas transferidas para as autarquias, entre 2010 e 2012", destinadas à educação pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico.

Para Ana Maria Bettencourt, o país deve fazer uma aposta na Educação. "Não temos petróleo, nem ouro. Temos pessoas", disse a presidente do CNE na apresentação do relatório intitulado "Estado da Educação 2012 - Autonomia e Descentralização", lançado poucos dias depois da mensagem ao país de Passos Coelho, ameaçando com mais cortes na Educação a concretizar em breve.

O CNE fala também dos relatos que lhe chegam a dar conta das "dificuldades dos alunos e das famílias, a insegurança vivida pelos professores e técnicos de educação, a diminuição de recursos financeiros". E a sua presidente chamou também a atenção para o combate ao insucesso escolar.  "Em tempos de crise é preciso ter um olhar atento a estes alunos. Não podemos deixar que eles fiquem para trás", declarou Ana Maria Bettencourt à TVI 24,  defendendo que as escolas mais carenciadas devem ter «um número de professores suficiente para apoiar os alunos».

As baixas qualificações da sociedade portuguesa são realçadas neste relatório, em particular entre os idosos. Em 2011, havia "perto de 3,5 milhões de pessoas com mais de 15 anos sem nenhum diploma ou apenas com o 1º ciclo do ensino básico e mais de dois milhões e meio com qualificação de nível secundário, pós-secundário ou superior", assinala o estudo do CNE, com base no estudo dos Censos 2011. Se contarmos apenas a população acima dos 55 anos de idade, verificamos que metade tem apenas a antiga quarta classe. E há um milhão e meio de pessoas entre os 25 e os 44 anos que não chegaram a concluir a escolaridade obrigatória, que hoje vai até ao 12º ano de escolaridade.