Inspetores do Trabalho fazem limpezas nas instalações da ACT

10 de abril 2013 - 11:26

O contrato dos serviços de limpeza na Autoridade para as Condições do Trabalho acabou em março e não há autorização para renovar. Desde então, os inspetores são pressionados para limpar as casas de banho e as instalações das delegações espalhadas pelo país.

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Foto maiqui maiqui/Flickr

Segundo o jornal i, a direção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) informou os inspetores no dia 28 de março que "os contratos de prestação de serviços celebrados pela ACT com as empresas de limpeza" terminavam no final desse mês. Apesar dos pedidos de autorização extraordinária ao Governo, não obtiveram resposta até agora e muitas das 32 delegações já perderam os serviços de limpeza. 

"Nalguns sítios os funcionários estão a ser pressionados para limpar as casas de banho e os serviços de atendimento ao público. Noutros estão a juntar dinheiro para contratar alguém", disse Carla Monteiro ao mesmo jornal. A dirigente do Sindicato dos Inspetores do Trabalho diz que os cortes na atividade de inspeção das condições laborais não é exclusivo das limpezas. "Há já algum tempo que temos problemas com os carros. Já passámos pela fase de não ter papel ou fotocopiadora. A partir de novembro deixámos de ter papel higiénico sem qualquer justificação", denuncia Carla Monteiro. 

O Sindicato acusa o Estado de querer impor aos inspetores do trabalho "que substituam as suas ferramentas de trabalho e se desviem da sua missão para pegar em esfregonas e se tornarem funcionários de limpeza". Para além de dificultar ainda mais a ação da ACT, que nunca foi dotada dos meios humanos necessários para cumprir a sua missão, esta situação põe até em causa a legitimidade da ação dos inspetores no terreno. "É missão dos inspetores inspecionar as condições de trabalho das empresas mas exigimos aos outros aquilo que nós próprios não cumprimos", conclui Carla Monteiro.