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Índia: líderes do BJP absolvidos em caso de demolição de mesquita

Os 32 acusados foram absolvidos por falta de provas do caso de destruição em 1992 de uma mesquita do século XVI. Os homens eram acusados de incitamento a motim que levou à morte de 2 mil pessoas, na maioria muçulmanos.
Índia: líderes do BJP absolvidos em caso de demolição de mesquita

O caso remonta a 1992. A cidade de Ayodhya, a pouco mais de cem quilómetros de Lucknow, capital do estado indiano de Uttar Pradesh, foi palco da destruição de uma mesquita que remontava ao Império Mongol, no século XVI. Este ato, praticado por uma multidão hindu, deu origem a casos de violência em todo o país que culminaram na morte de 2 mil pessoas, maioritariamente muçulmanos.

Agora, 28 anos depois, os 32 acusados foram absolvidos por falta de provas. O tribunal considerou que os motins não foram previamente planeados. Entre os acusados estavam vários dirigentes do Bharatiya Janata Party (BJP), o partido no poder na Índia, inclusive um dos mentores do primeiro ministro Narendra Modi, bem como vários ex ministros. As 32 pessoas estavam acusadas de conspiração e de incitamento a motim contra a mesquita. 

Segundo as declarações de um dos advogados de defesa à Al Jazeera, o tribunal considerou que as provas apresentadas eram insuficientes e não foi possível provar a autenticidade das provas de vídeo e áudio apresentadas pela acusação.

A jornalista Ruchira Gupta, presente no momento do motim há 28 anos, foi uma das testemunhas e mantém as acusações contra os membros do BJP e do RSS [Rashtriya Swayamsevak Sangh], afirmando que estes estavam com ela e nomeando vários líderes políticos que constavam entre os acusados. 

“Estavam a incitar deliberadamente a multidão a demolir a mesquita e não paravam de gritar o lema ‘Um empurrão e destroem a mesquita’. Isto não é deliberado? Não havia qualquer ambiguidade naquele lema”, explica à Al Jazeera.

“No dia da demolição, [L. K.] Advani [ex vice primeiro ministro da Índia e um dos fundadores do BJP] não parava de dizer ao microfone que as forças de segurança não deveriam poder entrar na mesquita. Isto não é deliberado? O fotógrafo Pravin Jain esteve lá no dia da demolição e afirma ter testemunhado o ensaio da demolição da mesquita. Eu testemunhei perante a Comissão Liberhan e, surpreendentemente, o CBI nunca me pediu para testemunhar, o que é prova de que a decisão estava tomada previamente”. 

Representantes da comunidade muçulmana do país já disseram que irão contestar a decisão. 

Numa decisão igualmente polémica e depois de uma longa guerra em tribunal, em novembro de 2019 um tribunal indiano permitiu que o território que em tempos fora ocupado pela mesquita fosse cedido a representantes hindus para a construção de um templo.

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