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Índia: ativistas acusam polícia de ignorar violência de hindus contra muçulmanos

A polícia de Nova Deli é acusada também de incriminar ativistas pró-democracia pelo incitamento dos motins de fevereiro, ignorando o envolvimento de altos quadros do partido do governo e membros da polícia na promoção da violência.
Fotografia de Piyal Adhikary/EPA/Lusa.

Em fevereiro a Índia foi palco de uma das piores vagas de violência religiosa das últimas décadas. Ao longo de três dias, em vários pontos do país, ocorreram confrontos entre hindus e muçulmanos, com estes a serem desproporcionalmente afetados. 

As alterações à lei da nacionalidade - que permitiria a nacionalização de refugiados de várias confissões religiosas, exceto a muçulmana - deram origem a manifestações de grupos religiosos e progressistas que afirmavam que tal mudança legislativa seria um retrocesso num país laico. As manifestações, em larga maioria pacíficas, ocorreram de dezembro a fevereiro.

Em reação a essas manifestações, vários grupos de pessoas hindus incendiaram as casas e estabelecimentos comerciais de pessoas muçulmanas, bem como várias mesquitas. Dezenas de muçulmanos foram espancados e mortos por grupos armados e milhares de famílias perderam as suas casas. 

Agora, a polícia de Nova Deli foi acusada de apresentar queixas falsas contra ativistas pró-democracia, responsabilizando-os pelos motins de fevereiro. Ao mesmo tempo que acusaram e prenderam vários ativistas, ignoraram o envolvimento direto que vários membros do BJP - o partido do governo - tiveram na incitação da maior onda de violência de motivação religiosa em décadas.

Entre os acusados, segundo o jornal Guardian, estão alguns dos mais conhecidos ativistas dos direitos humanos no país, dois membros de um coletivo de estudantes feministas, um membro de um partido politico progressista, três estudantes da universidade Jamia Milia Islamia (de maioria muçulmana) e um homem Sikh que tinha organizado uma cozinha comunitária para ativistas muçulmanas. Vários destes foram presos e foi-lhes negada a hipótese de fiança. 

Entre os ativistas presos desde abril está Safoora Zargar, uma estudante muçulmana da universidade Jamia Milia Islamia. Safoora está grávida de cinco meses e pediu no final de maio para aguardar julgamento em liberdade, uma vez que a prisão não reune as condições de salubridade adequadas. Como resposta, a polícia de Nova Deli limitou-se a afirmar que a sua gestação “não diminuiu a gravidade dos seus atos”. Porém, ontem um juiz permitiu que a estudante de mestrado saísse após pagar uma fiança.

Segundo o Guardian, várias testemunhas acusam a polícia de não apenas ignorar a violência praticada pelos hindus, mas em alguns casos de permitir que esta ocorresse e de participar nela. A polícia, porém, alega que os motins foram uma “conspiração” instigada por muçulmanos e ativistas envolvidos nos protestos.

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