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Ataques a muçulmanos na Índia fazem dezenas de mortos

Os protestos contra a discriminação de muçulmanos no acesso à nacionalidade deram origem a ataques praticados por hindus de extrema direita. Há centenas de feridos, edifícios incendiados, bandeiras hindus içadas em mesquitas e milhares fugiram de suas casas.
Ataques a muçulmanos na Índia fazem dezenas de mortos
Foto de Harish Tyagi/EPA/Lusa.

Esta é a pior vaga de violência religiosa que a Índia vê nas últimas décadas. A aprovação da nova lei da nacionalidade, apresentada pelo partido do primeiro ministro Modi, deu origem a protestos da comunidade muçulmana, que considera que a nova legislação dificulta a obtenção de nacionalidade indiana por parte desta parte da população. Em retaliação, membros de grupos e associações hindus deram origem a ataques dirigidos à comunidade muçulmana do país.

Desde domingo que os confrontos entre os dois grupos fizeram com q ue muitas pessoas de religião muçulmana tivessem de abandonar as suas casas para fugir aos ataques e que vários estabelecimentos comerciais foram pilhados. A multidão hindu tem ainda queimado cópias do Corão e içado bandeiras hindus em mesquitas.

Esta onda de violência em particular terá começado quando Kapil Mishra, dirigente do Bharatiya Janata Party (BJP, partido do governo), incitou grupos hindus a remover à força grupos de manifestantes muçulmanos que ocupavam uma estrada em protesto contra a nova lei. Ambos os lados deste confronto em particular começaram a atirar pedras uns aos outros, o que deu origem à brutal escalada de violência.

Só na passada terça-feira, uma multidão de cerca de 500 hindus invadiu uma mesquita, içou uma bandeira hindu para pouco depois incendiar todo o edifício. O grupo terá depois seguido para outras mesquitas mais pequenas e estabelecimentos comerciais de muçulmanos, destruindo e incendiando todos os locais por onde passaram.

A violência do confronto pode ser observada diretamente nos hospitais: mais de duzentas pessoas deram entrada nas urgências com ferimentos de balas, bem como queimaduras causadas por ácido, esfaqueamentos e marcas de apedrejamentos. Outras tantas morreram ao saltar de edifícios para fugir às tentativas de linchamento.

Só ao terceiro dia é que Narendra Modi decidiu reagir e apelar à calma. “A paz e a harmonia são centrais no nosso ethos [carácter ou identidade]. Apelo às minhas irmãs e irmãos de Deli para manterem a paz e a irmandade em todos os momentos. É importante que haja calma e a normalidade seja reposta rapidamente", publicou Modi no Twitter.

A polícia já deteve cerca de 100 pessoas envolvidas nos ataques e o ministro de Deli defende que o exército seja chamado para as ruas.

A nova lei da nacionalidade foi aprovada em dezembro. Nela, é reconhecido o direito à nacionalidade a refugiados pertencentes às principais religiões, exceto a muçulmanos. As críticas a esta legislação discriminatória foram imediatas, com argumentos de que esta abala as fundações seculares do país, uma vez que garante a cidadania com base na religião.

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