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Iémen: separatistas do sul atacaram Áden

Na guerra do Iémen, a relação de forças tornou-se este fim de semana ainda mais desfavorável para a coligação internacional liderada pela Arábia Saudita. Um dos seus aliados, os separatistas do sul do país que são apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, tomou a capital provisória que era detida pelo governo.
Visão panorâmica da cidade de Áden em 2013.
Visão panorâmica da cidade de Áden em 2013. Foto de JamesGardinerCollection. Flickr.

Para além da rebelião do movimento Houthi, apoiado pelo Irão, que controla a capital do Iémen e parte importante do país, o governo apoiado pela Arábia Saudita enfrenta agora uma quebra na sua aliança. Os separatistas do sul da Iemén, que contam com o apoio dos Emirados Árabes Unidos, tomaram conta este fim de semana da cidade de Áden e o seu porto.

Para além da sua importância estratégica, a cidade tem a importância simbólica de ser atualmente a capital provisória do país. Dos confrontos terão resultado pelo menos 70 vítimas mortais.

A situação permanece confusa. A Associated Press relata uma retirada dos separatistas do sul enquanto que a Reuters noticia que o Presidente do Conselho Transitório do Sul, Aidaroos al-Zubaidi, recusa retirar das zonas ocupadas mas jura que continua a fazer parte da coligação anti-Houthi e que apenas tomou controlo da cidade para evitar que esta caísse nas mãos dos Houthis. Já as forças leais ao governo exilado na Arábia Saudita anunciaram que vão atacar as bases tomadas pelos seus supostos aliados.

Quem, por sua vez, optou claramente pela retirada de forças militares, desde junho passado, foram as tropas dos Emirados Árabes Unidos que têm treinado e apoiado o Conselho Transitório do Sul. Este apoio pretende assegurar a sua posição na rota de comércio entre a Ásia e África.

A guerra no Iémen dura há quatro anos. Para além das vítimas diretas do conflito, este é a principal causa da fome que atinge dezenas de milhares de pessoas no país.

Os países ocidentais têm sido responsabilizados por venderem armas para a Arábia Saudita continuar os bombardeamentos e os Estados Unidos por continuar a prestar apoio militar à coligação internacional que tem sido acusada de ataques a civis. Ainda este domingo os Houthis acusaram a coligação de ter morto onze civis num bombardeamento no norte da província de Hajjah.

Para além da guerra entre os Houthis e o anterior governo, que é igualmente um conflito regional entre Irão e Arábia Saudita apresentado por vezes como uma divisão religiosa entre sunitas e xiitas, o país pode ser separado pela linha entre norte e sul . Recorde-se que o Iémen esteve dividido entre sul e norte até à sua reunificação em 1990. Logo em 1994 tinha havido uma tentativa de secessão. E em 2007 o movimento separatista voltou em força. Durante a guerra do Iémen estabeleceu-se como uma das mais importantes forças militares do país.

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