Segundo o comunicado publicado pela TVI24, o Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais (ICS) reuniu esta sexta-feira para decidir por unanimidade pôr em circulação o nº 212 da Revista “Análise Social”, por considerar que “de acordo com os Estatutos em vigor, a Análise Social 212 é da exclusiva responsabilidade do então diretor da revista”. O diretor da “Análise Social” era João de Pina Cabral, que discordou da decisão de José Luís Cardoso, diretor do ICS, apelidando-a de “gesto de censura”.
“Tendo em conta o problema que criaram, com uma repercussão de que não estavam à espera, julgo que não haveria outra solução que não fosse a publicação da Análise Social ou a demissão do diretor do ICS”, declarou o autor de “A Luta Voltou ao Muro” à TVI24.
As críticas na comunidade académica, solidárias com o autor do ensaio visual e com o diretor da revista, ultrapassaram fronteiras após a notícia da censura das fotografias de graffitis nas ruas de Lisboa, que apontam o dedo a algumas figuras consideradas responsáveis pela crise. As imagens foram reunidas por Ricardo Campos, num ensaio visual que mostrava como as paredes estão a “servir cada vez mais para expressar não apenas uma revolta difusa, mas para acicatar o poder político, satirizar a classe partidária e afrontar o status quo”.
Ricardo Campos reagiu à decisão de publicar a revista com o seu trabalho, dizendo que ficou “mais do que provado que tinha sido um ato de censura óbvio”. “Tendo em conta o problema que criaram, com uma repercussão de que não estavam à espera, julgo que não haveria outra solução que não fosse a publicação da Análise Social ou a demissão do diretor do ICS”, declarou o autor de “A Luta Voltou ao Muro” à TVI24. O Conselho Científico optou pela primeira hipótese e conclui o comunicado com um voto de confiança a José Luís Cardoso, ao atual diretor da revista e a todos os órgãos do Instituto.