Hospital escondeu varredor deficiente durante visita de governante

13 de setembro 2014 - 19:14

Um funcionário do Hospital de Gaia foi levado por seguranças para o refeitório, por ordem superior, durante a visita do Secretário de Estado da Saúde para assinalar os 35 anos do SNS. O sindicato quer explicações da direção do Centro Hospitalar.

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Manuel Sobrinho sai do trabalho, após ter passado o dia a varrer o Hospital de Gaia.

A notícia é revelada pelo próprio funcionário, entrevistado pelo Jornal de Notícias. Na sexta-feira, pouco antes do início da visita do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Ferreira Teixeira, para assinalar os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde, Manuel Sobrinho recebeu a ordem da sua chefe de serviço: “Tem de esconder-se. Ou vai para a casa mortuária ou vai ali para o refeitório. Não o queremos aqui”.

“Não querem que seja visto de muletas porquê? Então não me ponham a trabalhar neste serviço!”, responde Manuel Sobrinho, repudiando a humilhação de que tem sido alvo.

O funcionário, que se desloca com o apoio de duas muletas desde “o acidente de trabalho com uma roçadeira” que sofreu em 2005 nos terrenos do Hospital de Gaia, contestou a ordem da chefe: “Esconder? Eu não roubei nada nem ninguém para me esconder”, terá respondido. Apesar da incapacidade de 37%, uma Junta Médica obrigou-o a continuar a trabalhar e agora Manuel Sobrinho varre todos os dias à volta do pavilhão masculino do Hospital de Gaia.

“Passado um bocadinho chegam dois seguranças”, contou Sobrinho ao JN, que o levaram para o refeitório, onde permaneceu até Manuel Ferreira Teixeira terminar a visita ao hospital. Segundo o funcionário, esta não é a primeira vez que as chefias o mandam esconder-se quando há câmaras de filmar por perto, tendo já acontecido o mesmo durante a visita duma reportagem televisiva.

“Não querem que seja visto de muletas porquê? Então não me ponham a trabalhar neste serviço!”, responde Manuel Sobrinho, repudiando a humilhação de que tem sido alvo. O caso foi denunciado ao JN pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte, que vai pedir esclarecimentos à direção do Centro Hospitalar sobre o sucedido.