Hospitais públicos perderam 79 médicos só num ano

25 de junho 2011 - 17:06

Um estudo da Direcção-Geral de Saúde (DGS) conclui que os hospitais públicos perderam 79 médicos num só ano. A maioria dos médicos saiu por aposentação. O Bloco já tinha alertado que a falta de médicos está a desmembrar o SNS e apresentou propostas de solução.

PARTILHAR
A falta de médicos está a desmembrar o SNS - Foto de jasleen_kaur/flickr

A falta de médicos está a provocar uma grave crise no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em cinco anos, o SNS perde quase 3.000 médicos e nos próximos 10 anos o problema pode agravar-se ainda mais. O relatório da DGS sobre os hospitais públicos confirma a situação, que é ainda mais grave nos centros de saúde.

Segundo o relatório da DGS, os hospitais públicos perderam, em 2009, 46 cirurgiões, 20 ortopedistas e 13 otorrinolaringologistas. Outras especialidades também perdem médicos, como são os casos de dermatologia, psiquiatria, obstetrícia, gastrenterologia, medicina interna, e urologia.

Em declarações ao jornal “I”, o Director-Geral de Saúde, Francisco George confirma que o problema dos centros de saúde é ainda mais grave e refere:"A saída de médicos tem implicações ao nível da produção, ou seja, tendo menos médicos o número de consultas é menor. Neste momento estamos preocupados com os serviços de proximidade, com os médicos de família que trabalham nos centros de saúde."

O deputado João Semedo já tinha alertado para o problema, tendo chamado a atenção que só nos dois primeiros meses de 2011 se tinham reformado mais 103 médicos família. O Bloco de Esquerda salientou então que as medidas tomadas pelo anterior Governo não resolviam o problema e propôs medidas concretas para a sua solução:

- O regresso dos médicos reformados ao SNS, o alargamento voluntário das listas de utentes dos médicos de família, a criação de novas regras para a inscrição e actualização das listas dos utentes dos médicos de família.

- A garantia de vaga no internato de especialidade e que o SNS contrate os estudantes portugueses em faculdades de medicina no estrangeiro (cerca de 1.200) para promover o seu regresso.

- A criação de um programa nacional de emergência, que permita atribuir médico de famílias a todos os portugueses que o pretendam, no prazo máximo de um ano.