Em conferência de imprensa em Faro, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) diz que cerca de 250 trabalhadores dos Hospitais do Algarve, com contratos a prazo podem não ver os seus contratos renovados e ser despedidos, conduzindo a uma situação de ruptura nos serviços de saúde, sobretudo em áreas críticas como cirurgia geral.
Segundo o SEP, estão nesta situação 70 enfermeiros, 81 assistentes operacionais e 17 assistentes técnicos no Hospital de Faro e 79 enfermeiros no Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio. Todos estes trabalhadores têm contrato a prazo e alguns deles são precários desde 2007.
Nuno Manjua, da direcção regional de Faro do SEP, declarou à agência Lusa:
“Como sabemos, neste momento há uma política de contenção e de cortes cegos que podem fazer com que essas renovações ou novos contratos não sejam aceites. Queremos evitar a todo o custo estes despedimentos, porque, se acontecerem, vão deixar em rutura alguns serviços do Hospital Distrital de Faro e do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio [Portimão]”.
Na conferência de imprensa, Nuno Manjua disse na conferência de imprensa que a não renovação dos contratos dará origem a uma de duas situações: o aumento das horas extraordinárias ou a redução do número de profissionais. Salientou ainda que, verificando-se qualquer uma das situações, o futuro do SNS não terá os serviços que “actualmente conhecemos, deixando de reunir garantias de resposta e apoio aos utentes”.
Guadalupe Simões, vice-coordenadora do SEP, afirmou que “as medidas de redução de despesa no SNS, anunciadas pelo governo, conduzem a uma gestão criminosa da saúde”, sublinhando que reduzir despesa, despedindo profissionais, aumenta o ritmo de trabalho pelo acumular de horas extraordinárias, e “neste cenário será impossível continuar os cuidados de excelência a que estamos habituados, e que pagamos!”
O SEP anunciou também que os enfermeiros realizarão uma concentração junto ao ministério da saúde na próxima sexta feira, 4 de Novembro e participarão na manifestação da manifestação dos trabalhadores da administração pública no dia 12, em Lisboa.