Os hipermercados “reiteradamente” têm um preço marcado nas prateleiras mas cobram mais quando se chega às caixas. Este aumento chega a ser de 65,5% e multiplicado pelo volume de vendas atinge valores significativos.
A denúncia vem do inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Pedro Portugal Gaspar, e foi feita em declarações à CNN Portugal. Esta instituição pública abriu, nos últimos meses, 26 processos-crime por especulação de preços em bens alimentares, nomeadamente massas, cereais, leite, ovos, carne e atum. Para além disso também abriu 51 processos de contra-ordenação a empresas retalhistas por falta de afixação de preços, desrespeito pelas regras de anúncio de vendas com redução de preços, práticas comerciais desleais, incumprimento de práticas leais de informação e a prática de ações enganosas.
O quadro da ASAE sublinha que “este desvio não deve ser visto como um ato singular, mas sim multiplicado pelo cashflow diário do produto”, o que atinge “um exponencial relativamente preocupante” porque se trata de “grandes grupos económicos”.
Apesar de terem sido encontradas alterações como por exemplo de 65,5% na venda de massas, estes aumentos relativamente ao preço afixado podem passar despercebidos no meio de um carrinho de compras com vários produtos. “A perceção é que o consumidor não faz esse cruzamento ao pormenor. Por vezes são cêntimos, mas esse desvio é relevante quando chega ao limite de quase 70%”, explica, reforçando estes “erros” deveriam “ter sido corrigidos para que não voltassem a acontecer, ou então é um tipo de prática que tem de ser combatido radicalmente”.
Aquele órgão de comunicação social sublinha igualmente que estas práticas ocorrem num período “em que as empresas de distribuição têm visto as suas receitas e lucros aumentar”, exemplificando-se com as receitas da Jerónimo Martins e da Sonae, proprietárias do Pingo Doce e do Modelo/Continente, que entre janeiro a setembro foram de mais de 8.400 milhões de euros. A primeira viu os lucros aumentar 120 milhões e a segunda 39 milhões, relativamente a 2019, antes da pandemia.