Trabalho

Highpoint continua sem pagar salários e trabalhadores fazem greve

02 de junho 2025 - 17:26

Empresa ainda não pagou salários de abril a 60 trabalhadores e agora deixou todos os trabalhadores sem o salário de maio. A Highpoint já tinha atrasado o pagamento de salários em dezembro de 2024.

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CP
CP. Fotografia de tac.wing/Wikicommons.

A Highpoint, empresa concessionária do serviço de limpezas da Comboios de Portugal (CP), ainda não pagou qualquer salário de maio aos trabalhadores e continua sem pagar os salários de abril a cerca de 60 trabalhadores. Os trabalhadores da empresa estão em greve desde domingo para reivindicar respostas e pagamentos por parte da empresa.

A greve foi marcada para dias 1 e 2 de junho com uma concentração convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Atividades Diversas (STAD) que juntou dezenas de trabalhadores esta segunda-feira em frente à sede da empresa, em Viseu.

Na convocatória da greve, o STAD considera que a Highpoint é uma “empresa fora-da-lei” e recorda que os trabalhadores e trabalhadoras “cumprem com a sua obrigação todos os dias quando dão a sua força de trabalho na limpeza dos comboios e o mínimo que exigem é que a empresa cumpra com a lei”. O sindicato aponta as responsabilidades à Highpoint, mas questiona se não será também responsabilidade da CP “que tem feito escolhas erradas quando contrata empresas sem capacidade para o serviços”.

“Não queremos nem aceitamos receber os salários de um mês no início do mês seguinte – não pense a Highpoint que pode pagar os salários até ao dia 8 de cada mês”, lê-se no documento. Em frente à sede da Highpoint, os trabalhadores gritaram esta segunda-feira: “queremos o nosso dinheiro”, em protesto com a falta de pagamento dos salários.

Segundo o sindicato, a empresa diz que tem as contas penhoradas e não responde aos trabalhadores. Há até indícios de que tiraram material da sua sede, mas apesar disso a Highpoint voltou a concorrer ao concurso para a renovação da concessão das limpezas dos comboios.

Os trabalhadores desta empresa já viram o pagamento dos seus salários em atraso no passado. Em janeiro, o STAD marcou uma greve que acabou por ser desmarcada depois de a Highpoint ter pago os salários que tinha em atraso desde dezembro.

O Bloco de Esquerda entregou na altura um requerimento na Assembleia da República para ouvir, com caráter de urgência, a administração da Highpoint e da CP, bem como a direção do STAD, a Autoridade para as Condições do Trabalho e o ministério das Infraestruturas sobre a situação.

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