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Hi Fly: companhia aérea despede centenas de precários e recorre a lay-off

Segundo denúncias divulgadas pela plataforma despedimentos.pt, 350 precários foram despedidos em março e 70 trabalhadores foram já em maio para lay-off. Sobretudo mulheres, a quem foi explicado que nesta altura os serviços contratados são sobretudo “para transporte de cargas".
Avião da Hifly. Foto de despedimentos.pt.
Avião da Hifly. Foto de despedimentos.pt.

A Hi Fly, companhia aérea portuguesa especializada no fretamento de aviões comerciais, com sede e operação a partir de Lisboa, despediu cerca de 350 trabalhadores com vínculos precários, tendo posteriormente acionado o mecanismo de lay-off. Estes profissionais, tripulantes de cabine, estavam maioritariamente contratados através de empresas de trabalho temporário, como a Randstad, a Manpower ou a Gi Group. A empresa tinha feito saber, com divulgação na imprensa, logo nos primeiros dias de resposta à crise sanitária, que o novo contexto tinha forçado o adiamento da celebração de contratos com algumas centenas de trabalhadores que se encontravam em formação. No entanto, segundo várias denúncias que recebemos, estas centenas de profissionais despedidos estavam em plenas funções, muitos dos quais há vários anos.

Segundo o site despedimentos.pt, “aos trabalhadores despedidos, como forma de condicionar as reações e a denúncia da situação, à semelhança do que aconteceu em vários outros casos ao longo das últimas semanas, a administração da Hi Fly acenou, na própria missiva em que comunicou o despedimento, com a promessa de voltar a contratar quando a atividade retomar a normalidade”, dizendo que se “perspetiva uma retoma a partir do mês de Julho”. De acordo esta plataforma de denúncias, “a empresa serve-se, assim, da precariedade para usar trabalhadores como mercadoria descartável e ao dispor da sua melhor conveniência, dispensando-se das obrigações que deveria cumprir se observasse os direitos laborais”.

Para além destas situações, as denúncias recebidas relatam que a administração da empresa seguia um esquema de permanente recurso à precariedade: um tripulante começa sempre na empresa com contrato através de uma empresa de trabalho temporário, muitas vezes durante vários anos. Só quando atingem a categoria de chefes de cabine passam a ter um contrato diretamente com a HiFly – mas, ainda assim, um contrato a prazo.

Concretizados os despedimentos, que decorreram ainda durante o mês de março, a administração da Hi Fly acabaria por recorrer ao novo “lay-off simplificado”, que teve início no princípio do mês de maio. Ou seja, como muitas outras empresas, nomeadamente as de maior dimensão, a Hi Fly recorreu ao apoio público depois de descartar os trabalhadores precários. Segundo os relatos, dos 150 tripulantes que restam na empresa após os despedimentos, cerca de 70 foram abrangidos pela suspensão do contrato. As denúncias relatam ainda que a maioria das pessoas abrangidas pelo lay-off são mulheres – uma decisão discriminatória, que a empresa terá justificado com o facto de os serviços contratados serem, neste momento, sobretudo “para transporte de cargas”.

As denúncias relatam ainda a imposição de um conjunto de abusos sobre os cerca de 80 profissionais que se mantêm ao serviço. São relatadas várias situações de escalas adulteradas e de folgas suprimidas, algo que é imposto num contexto de receio de perder o emprego, na sequência da realidade dos últimos meses. É relatado um clima de medo e intimidação, que é reforçado pela ausência de representação sindical na empresa.

A Hi Fly tem a sua atividade centrada no fretamento de aviões comerciais, com a respetiva tripulação, a outras empresas de aviação para responder às suas necessidades adicionais. Detida pela família Mirpuri, é a terceira maior empresa portuguesa do setor, contando com uma frota de 20 aviões.

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