França

Há acordo para uma Frente Popular

11 de junho 2024 - 11:39

Os antigos partidos da NUPES anunciaram que vão concorrer juntos às próximas legislativas. Depois da vitória da extrema-direita nas europeias e da convocação de eleições para o final do mês, crescem os apelos à unidade do mundo sindical, associativo, cultural e político.

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Faixa a apelar à Frente Popular
Faixa a apelar à Frente Popular. Foto de ANDRE PAIN/EPA/Lusa.

Às 23 horas desta segunda-feira, a festa irrompeu em frente a sede dos Ecologistas em Paris enquanto centenas de jovens lançavam a palavra de ordem “frente popular”. Dentro do edifício, os líderes dos partidos que tinham feito a aliança NUPES nas últimas eleições legislativas surgiam juntos em frente às câmaras para anunciar que Verdes, PCF, França Insubmissa e PS iriam voltar-se a juntar para as eleições que Macron marcou depois da derrota eleitoral face à extrema-direita e que vão decorrer nos dias 30 de junho e 7 de julho.

Logo em seguida, foi emitido um comunicado, que juntava também os partidos Place Publique, Génération⸱s e a Esquerda Republicana e Socialista (GRS), e que terminava a dizer que a lista de subscritores estava ainda “aberta” para mais assinaturas. Aí, a expressão “nova Frente Popular”, que tinha sido pela primeira vez utilizada na noite eleitoral das europeias por François Ruffin e que depois ganhou tração, foi utilizada oficialmente pelos partidos, recuperando o imaginário da unidade à esquerda de há 88 anos. Segundo o Libération, o mesmo tinha já tratado de registar o domínio “Frente Popular 2024”.

O acordo não está ainda finalizado. Trata-se sobretudo de uma declaração de intenções de que “em cada circunscrição queremos apoiar candidaturas únicas desde a primeira volta. Elas serão portadoras de um programa de rutura que detalharão as medidas a aplicar nos primeiros cem dias de governo da nova Frente Popular. O nosso objetivo é governar para responder às urgências democráticas, ecológicas, sociais e pela paz”.

Depois da extrema-direita ter vencido as eleições europeias do passado domingo, várias mobilizações e apelos à unidade anti-fascista tinham surgido. No Le Monde, 350 personalidades do mundo da cultura, da ciência, do trabalho, do associativismo e da política francesa tinham-se unido numa tribuna comum em que apelavam a um “eletrochoque” e a um “sobressalto” para impedir que a extrema-direita chegue ao governo. Também aí, a experiência da Frente Popular era lembrada como “as melhores horas da nossa história” num apelo à união de esquerda e ecologistas para “agir seriamente face à tripla urgência climática, social e democrática”. Criticava-se Macron por “jogar poker com a democracia”, dez meses depois de ter votado ao lado da extrema-direita uma “lei vergonha sobre a imigração”.

Também o mundo sindical cerrou fileiras no mesmo dia em reação contra o avanço da extrema-direita. As grandes centrais sindicais do país, CFDT, CGT, Unsa, FSU e Solidaires, publicaram um comunicado em que apelaram aos franceses para que se manifestem “o mais amplamente possível” no fim de semana para sublinhar “a necessidade de alternativas de progresso para o mundo do trabalho”.

E segunda-feira tinha sido noite de manifestação para milhares de jovens na Praça da República em Paris, convocada quer pelos sindicatos estudantis, que por juventudes partidárias como as ecologistas e as dos insubmissos. Aí, de acordo com Eléonore Schmitt, porta-voz da União Estudantil, em declarações à France-Presse, apelou-se “à união das pessoas para mostrar que os jovens rejeitam o que aconteceu ontem com os resultados das eleições europeias” e a uma “revolta popular unida”.