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GUE/NGL sublinha consequências negativas do acordo comercial UE/Japão

O grupo parlamentar da esquerda europeia alerta para o impacto no emprego do tratado JEFTA, recém-aprovado pela maioria dos eurodeputados.

Para o eurodeputado Helmut Sholz, do Grupo Unitário da Esquerda/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) a quebra da receita em tarifas por parte da UE será equivalente “à perda orçamental criada se a Finlândia saísse da UE”, sem que haja uma compensação. As previsões mais otimistas quanto ao acordo comercial entre Europa e Japão (JEFTA) limitam-se a um aumento do PIB europeu de 0.14% em 2035, “um contributo tão pequeno que os estatísticos nem sequer conseguem medir”, diz a nota do GUE/NGL.

O impacto negativo no emprego, do lado europeu, vai sentir-se por exemplo na indústria automóvel, onde a competição acrescida com os fabricantes japoneses  obrigará à perda de emprego e ao acelerar da robotização, refere Helmut Scholz. No lado japonês, esse impacto atingirá por exemplo o setor agrícola, com os pequenos agricultores a não conseguirem competir com a oferta europeia.

Isso mesmo foi apontado por “inúmeros estudos produzidos por universidades e organizações da sociedade civil”, prossegue o eurodeputado alemão do Die Linke, acusando os decisores políticos e económicos de ignorarem a restruturação económica necessária para compensar o impacto negativo do JEFTA. “Por causa disso, os estados membros e os municípios irão enfrentar consequências graves”, conclui Helmut Scholz.

O grupo parlamentar que integra o Bloco de Esquerda e o PCP lamenta ainda que o resultado final do tratado comercial UE/Japão nem sequer tenha aproveitado a oportunidade para assegurar a implementação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030 da ONU ou para pressionar o governo japonês a abandonar a caça à baleia. “Rejeitamos este tratado de comércio livre com o Japão e apelamos ao comércio justo e ético, não o comércio livre”, sublinhou Scholz.

 

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