Greves alastram pelo Egipto

10 de fevereiro 2011 - 14:48

Trabalhadores estão a dar uma nova dimensão aos protestos contra o regime de Mubarak, reivindicando melhores salários e condições de trabalho. O vice-presidente Suleiman diz que não vai tolerar desobediência civil.

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O vice-presidente Suleiman anunciou que não vai tolerar "nenhuma forma de desobediência civil". Foto de страстная власть, FlickR

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As greves de trabalhadores egípcios estão a espalhar-se pelo país e a dar uma nova dimensão aos protestos contra o regime de Mubarak. Os sindicatos apelaram novamente à greve esta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, e o 17º de protestos pró-democracia.

Metalúrgicos e trabalhadores de cinco estaleiros, em empresas estatais e na Egyptian Steel, na região da Autoridade Portuária do Canal de Suez, estão em greve e realizaram manifestações, reivindicando direitos que alegam que lhes são negados.

Aly Hussein, trabalhador de um dos estaleiros, disse ao Al Ahram que a empresa recusa-se a garantir assistência a trabalhadores que sofrem de doenças cronicas e que, apesar da doença, são obrigados a continuar a trabalhar. Cerca de 1.500 trabalhadores participam da paralisação.

Na Fábrica Nacional de Aço, os 500 trabalhadores acusam a gerência de não respeitar direitos. “Aqui, trabalhamos há seis anos sob condições ilegais e desumanas, e nada muda. Não continuaremos calados” – disse o metalúrgico Mohammed Sayed, ao mesmo jornal egípcio.

Por sua vez, os trabalhadores da Egyptian Steel manifestaram-se e bloquearam a estrada que dá acesso à fábrica denunciando que o seu salário é o mais baixo do país, embora trabalhem em condições insalubres, expostos a altos índices de poluição.

No Cairo, segundo a TV Al Jazira, cerca de 5000 médicos e estudantes de medicina juntam-se esta quinta-feira aos grevistas, exigindo melhores salários.

Lutar por melhores salários e condições de trabalho

“Está a aumentar a pressão sobre o governo. É preciso perceber que as greves que estão a acontecer são mais de natureza económica. As pessoas não estão propriamente a entrar de pé juntos para os protestos na Praça Tahrir... muitas delas não estão propriamente a pedir a demissão do Presidente, mas antes a lutar por melhores salários e melhores condições de trabalho”, relatou a repórter Stefanie Dekker.

Estima-se que cerca de 20 mil operários fabris em todo o Egipto estejam em greve pelo fim das diferenças salariais, e reivindicando os aumentos de 15% que foram prometidos pelo Estado aos funcionários públicos.

Na quarta-feira, os trabalhadores da empresa estatal de electricidade concentraram-se, exigindo a demissão do director da empresa.

Suleiman ameaçador

Entretanto, os militares, com colunas de blindados, tomaram na manhã desta quinta novas posições nos arredores do Cairo, na Cidade Nasr, ameaçando as manifestações que estão convocadas para esta sexta-feira.

As movimentações ocorreram poucas horas depois de o vice-presidente Omar Suleiman ter dito que há a possibilidade de haver um golpe de Estado, sem especificar quem o daria. Suleiman rejeitou a saída imediata de Mubarak e disse que os protestos constituem uma "absoluta e intolerável falta de respeito" pelo presidente, que os egípcios têm falta de cultura democrática, e anunciou que não vai tolerar "nenhuma forma de desobediência civil".