Egipto: protestos cercam o Parlamento

09 de fevereiro 2011 - 15:03

No 16º dia de mobilização, manifestantes exigem que Mubarak seja julgado pelas responsabilidades sobre a repressão do regime. Suleiman diz que “o Egipto ainda não está preparado para a democracia”.

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Manifestante diz que Mubarak é ladrão, ditador e assassino. Foto de Maggie Osama

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As manifestações pelo fim do regime de Mubarak no Egipto ganharam um novo impulso esta quarta-feira, quando milhares de manifestantes se concentraram diante da sede do Parlamento no Cairo, protegidos por tropas e veículos blindados. Os manifestantes bloquearam os acessos, sentando-se no chão. Ali perto, a praça Tahrir continuava cheia de manifestantes, no 16º dia de protestos contra o governo.

Desta vez, os manifestantes não só pediram a demissão do presidente, como exigiram que ele seja levado a julgamento devido às responsabilidades pela repressão que se abateu sobre o povo egípcio nos últimos 30 anos.

O governo ofereceu reformas constitucionais e Hosni Mubarak prometeu não se apresentar à reeleição em Setembro ou fazer de seu filho seu sucessor, mas o presidente diz que pretende permanecer no cargo até o final de seu mandato.

Suleiman: “Egipto ainda não está preparado para a democracia”

Na noite de segunda-feira, o vice-presidente Omar Suleiman, ex-chefe dos serviços secretos, que coordena as negociações para uma suposta transição, declarou que o Egipto “ainda não está preparado para a democracia” e advertiu que há perigo golpe de Estado se as reformas constitucionais que uma comissão irá discutir não tiverem êxito.

Suleiman também começou a agitar o fantasma do medo do islamismo radical, em contradição com as iniciativas de negociações com a Irmandade Muçulmana.

Entretanto, o governo dos Estados Unidos, através do vice-presidente americano, Joe Biden, pediu na terça-feira que o Egipto acelere o processo de reformas democráticas no país e suspenda imediatamente o estado de emergência.

Biden conversou com Omar Suleiman por telefone, e endureceu o tom nesta última conversa. Para Biden, a transição para um governo mais amplo deveria produzir um progresso “imediato e irreversível”, e o poder do Ministério do Interior deve ser contido imediatamente. A Casa Branca quer também que haja uma política clara de não retaliar contra os manifestantes.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que as declarações de Suleiman de que o Egipto ainda não está pronto para a democracia foram “particularmente de pouca ajuda”.