A grave na Repsol Polímeros, no complexo industrial de Sines arrancou à meia-noite de quarta-feira com uma adesão de 100% e de cerca de 90% no turno da manhã. Os trabalhadores concentraram-se à porta da empresa para exigir “um acordo digno para quem trabalha” na empresa petroquímica.
Neste momento, explicou o dirigente do SIEAP Bruno Cadeias ao Esquerda.net, existe um impasse nas negociações do Acordo de Empresa que duram há seis meses, com a empresa a manter “uma postura inflexível”, tendo cancelado unilateralmente a reunião prevista para a véspera da greve. “Queremos retomar rapidamente esse diálogo”, afirmou o sindicalista, e assim permitir a recuperação da “perda de 14% do poder de compra” nos últimos anos, pois os aumentos salariais limitaram-se a “apenas 1% no último triénio”.
“Se há milhões e milhões para novos investimentos no negócio, tem que haver também para investir nos trabalhadores”, afirmou Bruno Candeias, defendendo a proposta de que no novo Acordo de Empresa “o aumento salarial esteja indexado à inflação”.
O sindicalista fala de uma “trajetória de esmagamento dos salários médios na Repsol”, pois “há 20 anos o salário do escalão mais baixo desta empresa era três vezes o salário mínimo e hoje os trabalhadores dos escalões mais baixos entram na Repsol a ganhar praticamente o salário mínimo”. Uma situação que considera “inadmissível” e que se traduz na “perda de poder de compra e uma desvalorização destes trabalhadores”.
“Repsol teve 1.756 milhões de lucro líquido e recusa-se a negociar um aumento salarial digno”
A deputada e candidata do Bloco por Setúbal, Joana Mortágua, marcou presença na concentração para prestar solidariedade com a luta dos trabalhadores da Repsol Polímeros. E criticou a Repsol por apresentar “1756 mil milhões de lucro líquido e recusar-se a negociar um aumento salarial que reponha o poder de compra dos trabalhadores”.
Para Joana Mortágua, isso “é abocanhar a mais-valia que estes trabalhadores produzem e enriquecer com o seu trabalho”, sem ter em conta que estes trabalhadores “trabalham por turnos, fazem trabalho noturno e deixam aqui o seu esforço”.
Joana Mortágua referiu também as propostas que o Bloco traz à campanha eleitoral dirigidas a quem trabalha por turnos, nomeadamente a do subsídio obrigatório no valor de 30% do salário e o direito à reforma antecipada.