Grande parte da Bélgica está paralisada, esta segunda-feira, devido à greve geral decretada pelas três principais centrais sindicais contra as medidas de austeridade aplicadas pelo novo governo, sob imposição da União Europeia e acompanhadas pela ameaça de medidas punitivas.
Nenhum transporte público circula em Bruxelas e grande parte dos dirigentes europeus terão de usar helicópteros, aviões e aeroportos militares para chegarem à cimeira marcada para a capital belga.
O Aeroporto Nacional de Bruxelas regista grandes congestionamentos e atrasos, o de Charleroi foi totalmente encerrado. As comunicações ferroviárias de e para Bruxelas, designadamente com Paris, Amesterdão, Londres e Colónia estão paralisadas, incluindo as composições de alta velocidade.
Os correios não funcionam e os trabalhadores do porto de Antuérpia, um dos maiores da Europa, paralisaram completamente a atividade. Em algumas estradas do país, comissões sindicais promovem operações de paralisação do tráfego para divulgação de informação sobre os motivos da luta social.
A greve geral na Bélgica é a primeira em quase 20 anos. Os líderes das três confederações sindicais revelaram-se satisfeitos com a adesão à jornada de luta que hoje paralisou parcialmente a Bélgica. Exigem agora o retomar das negociações sobre o plano governamental que prevê cortes na despesa pública e alterações nas políticas laborais.
Na reunião dos lideres dos sindicatos belgas em frente à sede do Conselho Europeu, onde decorre uma cimeira dos 27, o presidente da Confederação de Sindicatos Cristãos (CSC), Marc Leemans, sublinhou já que a greve foi "um sucesso", sublinhando que os trabalhadores não podem continuar a ser "os primeiros a pagar o preço das medidas económicas".
Uma opinião partilhada pelos presidentes da Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB), Rudy De Leeuw, e do sindicato liberal CGSLB, Jan Vercamst. De Leeuw acrescentou ainda que a frente comum espera "um sinal do Governo" nos próximos dias.
Dívida soberana belga atinge os 100% do PIB
O governo belga de coligação sob a chefia do socialista Elio di Rupo, que pôs fim a uma crise política de 541 dias, diz-se forçado a fazer cortes nas despesas públicas da ordem dos onze mil milhões de euros, quantia que vai abalar toda a economia belga e atingir em primeiro lugar, como na generalidade dos países, os salários e direitos sociais dos trabalhadores.
Sendo a Bélgica um país com a dimensão de cerca de um terço de Portugal, este valor tem um enorme impacto se comparado, por exemplo, com o volume do último corte previsto pelo governo francês, de sete mil milhões de euros.
O governo de Elio di Rupo já está a ser acusado pelos trabalhadores belgas de fazer “um caminho à Zapatero” numa altura em que o flagelo do desemprego se torna ainda mais consciente ao nível europeu com o anúncio de que existem mais de 23 milhões de cidadãos sem trabalho, cerca de 10 por cento, segundo o Eurostat.
A dívida soberana da Bélgica atinge atualmente os 100 por cento do PIB e tem sofrido degradações regulares por parte das agências norte-americanas de notação financeira. As ameaças de sanções proferidas pela Comissão Europeia obrigam a Bélgica a procurar economias suplementares de 1300 milhões de euros sobre o orçamento de 2012.
Artigo publicado no site do Grupo Parlamentar Europeu do Bloco de Esquerda, actualizado pelo Esquerda.net.