Greve dos médicos com mais de 95% de adesão. Bloco requer ida de ministro à AR

12 de julho 2012 - 17:05

A greve dos médicos continua com elevada adesão neste segundo dia. Os sindicatos mantêm proposta de reunião com ministério para esta 6ª feira. Ordem dos médicos denuncia que continuam a ser abertos concursos, tendo o baixo preço como único critério. Bloco de Esquerda requer ida do ministro à comissão parlamentar.

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O deputado João Semedo do Bloco de Esquerda apresentou um requerimento potestativo para que o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, seja ouvido na comissão parlamentar de saúde “com o objetivo de obter esclarecimentos, analisar e discutir a política de saúde do Governo, nomeadamente, nos domínios da contratação de profissionais para o SNS e da organização dos Cuidados Primários de Saúde”. (aceda ao requerimento na íntegra)

De acordo com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), a greve dos médicos teve uma adesão superior a 90% na Madeira e superior a 95% em todo o país. A FNAM e o SIM escreveram uma carta ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, apelando ao diálogo não só ao ministro mas também aos “credenciados representantes da área das finanças e da administração pública que usualmente acompanham a mesa negocial única”. Na carta lê-se, segundo a agência Lusa: “As associações sindicais signatárias estão plenamente cientes da gravidade do momento histórico presente, da urgência em se alcançar a justa resolução do massivo litígio laboral em curso e, sobretudo, das tão nefastas repercussões que resultariam da perpetuação do mesmo, em especial para os doentes”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, denunciou nesta quinta feira que foi publicado na quarta-feira em Diário da República “mais um concurso para médicos da ARS do Algarve em que o único critério foi o baixo preço”.

Para o bastonário “o Ministério da Saúde não esteve de boa-fé em todo este processo”, salientando que “apesar de fazer promessas de que tinha alterado os procedimentos, não suspendeu os concursos que estariam em trânsito, não sabemos quantos são, nem quais são, nem onde estão, e ontem fomos surpreendidos com esta publicação em Diário da República de mais um concurso para a ARS do Algarve que tinha o mais baixo preço como o único critério”.

“Nós decidimos marcar estes dois dias de greve, com esta adesão maciça, que contou com a compreensão dos doentes, porque estamos a lutar pelo Serviço Nacional de Saúde e pelos doentes”, sendo “absolutamente incompreensível esta filosofia de má gestão do Ministério da Saúde”, salientou José Manuel Silva em declarações à Lusa.

O bastonário defendeu a necessidade de “introduzir mudanças rapidamente, alertando que “os profissionais de saúde e os doentes não vão permitir que o Serviço Nacional de Saúde seja destruído” e frisou: “É bom que o Governo compreenda isso rapidamente porque senão pode ter outras surpresas, tal como teve com a imensa dimensão desta greve, que contou com a compreensão e a comunhão de preocupação dos doentes”.

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