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Greve de professores: “não paramos”, promete-se por todo o país

Esta quarta-feira a greve rotativa por distritos convocada pela plataforma dos sindicatos docentes foi em Beja e a adesão continuou a ser à volta de 90%. Mas também no resto do país houve mobilizações, como mostramos nesta nova ronda pelas lutas da educação.
Professores manifestam-se em Beja. Foto de Nuno Veiga/Lusa.
Professores manifestam-se em Beja. Foto de Nuno Veiga/Lusa.

No dia em que sindicatos e Governo se voltaram a sentar à mesa das negociações, as lutas da educação não pararam. A greve rotativa por distritos, convocada por oito sindicatos de professores, ASPL, FENPROF, PRÓ-ORDEM, SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU, decorreu em Beja. Pelo terceiro dia consecutivo, as organizações sindicais indicam níveis de adesão acima dos 90%.

Com mais um desfile pelas ruas desta capital de distrito, os professores terminaram o seu percurso na Praça da República, em frente à Câmara Municipal. De acordo com a Voz da Planície, cerca de mil pessoas "inundaram as ruas do centro histórico de Beja”.

Para os professores de Moura, segundo A Planície, o dia foi de se juntar à manifestação de Beja. Mas a greve tem decorrido “com bastante expressão” todos os dias nos primeiros tempos da manhã e da tarde. Rui Oliveira, o diretor deste agrupamento, acrescenta que só “nos cinco dias da semana passada, houve 60 professores que faltaram”. Em Serpa, em Vila Nova de São Bento, também houve uma “adesão muito grande” exemplificou ao Diário de Notícias Manuel Nobre, o presidente do Sindicato dos Professores da Zona Sul. Uma professora nesse concelho, nomeadamente na Escola de Vales Mortes, Ermelinda Pepe, levou para Beja um cartaz que em que se podia ler “quem ensina a dar asas não pode rastejar, eu luto pela educação” e declarou: “nós não nos vamos rebaixar, vamos continuar a lutar. Eu tenho 42 anos, sou contratada, não vou chegar nem a meio da minha carreira e não vou baixar os braços, enquanto tiver voz ninguém me calará”.

Não paramos”: no resto do país continuam também as mobilizações

Na noite desta terça-feira, meio milhar de professores concentraram-se no Porto em frente à Câmara Municipal, segundo a SIC Notícias, onde cantaram “ninguém nos pára. Se o Costa não recuar, voltamos p´ra semana”.

Ainda a norte, em Gondifelos, Famalicão, diz o Cidade Hoje, a escola fechou esta quarta-feira pelo segundo dia consecutivo numa greve de pessoal docente e não docente.

Numa mobilização de ontem mas só noticiada esta quarta-feira pelo Diário de Leiria, em Viseu, dezenas de professores da Escola Secundária Alves Martins manifestaram-se. Este jornal cita um deles, que diz que “a municipalização da educação foi a gota de água”.

Em Tomar, os professores do Agrupamento de Escolas Templários continuam a contestar o “desrespeito pela escola pública” e esta quarta-feira fizeram-no através de um cordão humano nas imediações da Escola Jácome Ratton, aponta a Rádio Hertz.

Em Lisboa, os professores da Escola Secundária Camões escolheram fazer greve em dias alternados, conta a RTP. Aqui os alunos garantem que o seu apoio à luta dos professores “é óbvio” e que não se sentem prejudicados. Até pelo esforço que está a ser feito pelos docentes para recuperarem aprendizagens.

No distrito de Setúbal, em Sines os professores e o pessoal não docente acorreram em grande número ao Jardim das Descobertas, escreve a Rádio Sines. E no Seixal igualmente, entre a Escola Básica Augusto Louro e a Câmara, de acordo com a Lusa, que sublinha uma das palavras de ordem que vai percorrendo o país: “não paramos”.

No Alentejo não foi apenas o distrito de Beja que saiu às ruas em nome da escola pública. Também em Arraiolos, pode-se ouvir na Rádio Campanário. Os professores de todos os níveis de ensino, “mais de 50” fizeram greve no primeiro tempo da manhã, afirma a professora Maria Paula Pita, que critica que o ministro “tenha tentado virar a sociedade contra os professores” e sublinha que “de há 20 anos para cá tem havido uma desvalorização da profissão de professor, perdemos tempo de serviço e queremos recuperá-lo, perdemos poder de compra, cada vez temos menos tempo com os alunos e mais burocracia, e tudo isto foi agravado ainda mais pela pandemia.” A paralisação juntou ainda “cerca de 700 alunos” que a apoiaram.

No Algarve, depois de Portimão, foi a vez dos profissionais da educação saírem à rua em Quarteira. Esta quarta-feira, fez-se um cordão humano, contou a CNN Portugal. Na Escola Secundária Laura Ayres, um Agrupamento que durante este processo “já fechou algumas vezes”, Maria, uma professora colocada a 500 quilómetros de casa há cinco anos, insiste que “há milhares de professores” como ela numa situação que não é comportável.

E a luta continuará

Na quinta-feira há um novo dia de greve rotativa, desta feita no distrito de Braga. Neste âmbito, o Semanário V comunica que a Comissão “Professores de Barcelos em Luta” organiza vários protestos com encontros pelas 8 horas em frente as escolas, depois concentração e manifestação até ao Largo do Município porque, dizem, estão “fartos de suportar a desvalorização salarial e social da carreira”, não aceitam “o roubo de tempo de serviço nem as obscenas quotas que afunilam a progressão” e estão “frontalmente contra a “municipalização” de qualquer concurso que adultere a universalidade e equidade de acesso à profissão”.

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