As eleições legislativas na Grécia deste domingo foram convocadas para quebrar o impasse político resultante do ato eleitoral de 21 de maio, em que o patamar da maioria absoluta não foi atingido e não foi formado um governo de coligação.
O partido Nova Democracia (ND) obteve 40,5 por cento dos votos contra 17,8 por cento do Syriza, liderado por Alexis Tsipras, que no mês passado tinha atingido a fasquia dos 20%.
O novo sistema de bónus, que não estava em vigor no pleito de maio, atribui 50 lugares a mais no Parlamento ao partido vencedor quando este atinge a meta dos 40%. Assim sendo, e segundo projeções do Ministério da Administração Interna da Grécia, o partido de direita do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis ocupará 158 dos 300 lugares do Parlamento grego.
"O povo nos deu uma maioria segura. Grandes reformas prosseguirão rapidamente", prometeu Mitsotakis logo após a vitória.
Alexis Tsipras assumiu o resultado “obviamente negativo”. O líder do Syriza frisou que, “embora o risco de colapso” tenha “sido evitado”, e o partido continue a ser “oposição oficial”, o mesmo sofreu “uma grave derrota eleitoral”.
“No entanto, acredito que o resultado das eleições é principalmente negativo para a sociedade e a democracia. O surgimento no Parlamento de três partidos de extrema-direita, um dos quais com extensões e conexões fascistas, combinado com a maioria da direita do Sr. Mitsotakis, é um desenvolvimento negativo”, frisou Tsipras.
Extrema-direita ganha mandatos no Parlamento mais à direita das últimas décadas
Com uma taxa de participação mais baixa desde o fim da ditadura militar em 1974, todos os partidos perderam votos em relação às eleições de 25 de maio, à exceção do Niki, um partido da direita cristã ortodoxa que obteve mais 20 mil votos e assim passar a barreira dos 3% e eleger 10 deputados. A grande surpresa eleitoral foi a do partido neonazi Espartanos, apoiado pelo ex-líder da Aurora Dourada na prisão, que não tinha concorrido em maio e agora obteve 4,6% dos votos e 12 deputados. Os ultranacionalistas da Solução Grega mantiveram a representação parlamentar, caindo de 16 para 12 deputados. Ao todo, a extrema-direita conta agora com 34 deputados no parlamento mais à direita da Grécia nas últimas décadas.
À esquerda, os socialistas do PASOK mantêm-se como a terceira força com 11,85% e 32 deputados, menos nove que em maio, e os comunistas do KKE sobem quatro décimas percentuais mas perdem seis deputados, elegendo agora 20. O partido de Yannis Varoufakis voltou a falhar a fasquia dos 3% e a novidade veio do partido "Rumo à Liberdade", da ex-presidente do Parlamento Zoe Konstantopolou, também dissidente do Syriza. Com os 3.17% agora alcançados, elegeu 8 deputados.