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Grécia bloqueou entrada de 35 mil migrantes, Turquia manda polícia para impedir que voltem

O governo grego anunciou que conseguiu impedir a entrada de 35 mil migrantes e que vai deportar as centenas que conseguiram entrar. Do outro lado, o governo turco anunciou o envio de mil elementos das forças especiais de polícia com o objetivo de “impedir” os gregos de “repelir” os refugiados.
Migrantes na fronteira entre a Turquia e a Grécia. Março de 2020.
Migrantes na fronteira entre a Turquia e a Grécia. Março de 2020. Foto de DIMITRIS TOSIDIS/EPA/LUSA.

Entre a espada e a parede ou, melhor, entre duas espadas. É assim que ficam os milhares de migrantes que estão na zona da fronteira turca-grega depois de ambos os lados os procurarem empurrar para fora do seu território.

 

Erdogan anunciou a 28 de fevereiro que renunciava ao acordo de 2016 que fazia com que, a troco de financiamento, impedisse refugiados de entrar na União Europeia. A abertura do seu lado da fronteira de forma foi a forma que encontrou para pressionar a União Europeia a apoiar a sua posição na guerra da Síria.

Numa semana, as autoridades gregas impediram a entrada de 35 mil migrantes provenientes da fronteira turca. Para quem conseguiu entrar, o destino não vai ser favorável. O governo deste país tinha já anunciado a suspensão de pedidos de asilo, anunciou agora que vai deportar para os seus países de origem, sem qualquer processo de averiguações, as mais de duas centenas de pessoas que terão conseguido entrar nesta vaga.

Esta quarta-feira, o ministro do interior turco, Suleyman Soylu, visitou a região fronteiriça de forma e anunciou que vai reforçar as forças de segurança do seu país com mais mil elementos das forças especiais de polícia para impedir que os refugiados sejam enviados de volta para a Turquia.

O governo turco acusa ainda o governo de Atenas de ter morto a tiro um migrante e ferido 164. Os gregos dizem que não se registaram quaisquer mortes. Soylu anunciou igualmente que vai queixar-se ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Não há notícia de mais tentativas de travessia pela fronteira marítima devido ao estado agitado do mar nestes dias. Em Kastanies, na fronteira terrestre, gás lacrimogéneo está a ser usado por ambos os lados. Os guardas fronteiriços gregos contabilizaram sete mil tentativas de entrada nas últimas 24 horas por esta via.

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