O Governo conservador grego anunciou no início desta semana a abertura de três centros para migrantes em Creta, no leste e oeste da ilha, que deverão estar operacionais na próxima primavera. Duas instalações vão ser temporárias e dependentes dos fluxos migratórios, e a terceira será definitiva, precisou o ministro das Migrações Thanos Plevris.
Creta, que registou em 2025 um forte aumento da chegada de migrantes, não possui centros de acolhimento. Os exilados que desembarcam apenas ficam algumas noites na ilha antes da sua rápida transferência para a Grécia continental.
Nestas três novas instalações os requerentes de asilo serão submetidos a um exame da sua situação, e os que não cumprirem os rigorosos critérios de Atenas para a concessão de proteção serão transferidos para centros de detenção onde vão aguardar a conclusão do seu processo, e a eventual expulsão do território grego. Os que beneficiarem de uma decisão positiva serão integrados no sistema de acolhimento clássico dos requerentes de asilo.
O Governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis tem focalizado a sua atenção nos migrantes provenientes do Egito, Paquistão e Bangladesh. “A maioria não tem direito a asilo”, assegurou o ministro das Migrações, citado pelas agências gregas.
A Grécia mantém conversações com estes três países para garantir o regresso destes migrantes aos países de origem. Em 2025, cerca de 20.000 exilados desembaraçaram em Creta e na pequena ilha vizinha de Gavdos, contra pouco mais de 5.000 em 2024, um aumento de mais de 200%.
Os dados do ministério das Migrações grego indicam que, entre a totalidade dos migrantes assinalados no ano passado, 7.300 eram provenientes do Sudão – confrontado desde 2023 com uma sangrenta guerra civil entre duas fações do governo militar –, mais de 7.000 do Egito – onde prevalece uma ditadura militar após o golpe de Estado de julho de 2013 – e 3.500 do Bangladesh, onde permanece a instabilidade política após o levantamento popular de julho de 2024.
No final de janeiro o ministério grego das Migrações apresentou no Parlamento de Atenas – onde a Nova Democracia (ND) de Mitsotakis garante maioria absoluta – um novo projeto-lei destinado a endurecer as medidas contra traficantes de migrantes. Quem for reconhecido culpado poderá incorrer em prisão perpétua.
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Estas medidas estão a ser examinadas pelo Parlamento e preveem também que os migrantes condenados por estas infrações poderão ser expulsos diretamente. O apoio concedido por migrantes em situação regular a migrantes em situação irregular também será criminalizado, advertiu Thanos Plevris.
Para além do agravamento das medidas contra traficantes e migrantes em situação irregular, o Governo grego também pretende penalizar os trabalhadores humanitários que considere “cúmplices” da imigração clandestina. As penas de prisão dirigidas aos funcionários de ONG’s perseguidos por alegado tráfico de migrantes também poderão ser agravadas.
Em 25 de janeiro, uma mulher e uma criança foram encontrados mortos ao largo da ilha grega de Ikaria, norte do mar Egeu, após o naufrágio de uma embarcação que transportava mais de 50 migrantes. No mais recente incidente, pelo menos 14 migrantes morreram no início desta semana quando um barco patrulha da guarda costeira grega colidiu com uma embarcação perto da ilha de Chios, no leste do Egeu. Segundo a guarda costeira, 24 pessoas foram resgatadas e transportadas para um hospital de Chios.