Nos últimos três dias, desde sábado à noite, o temporal e a chuva intensa provocaram graves inundações na cidade de Zhengzhou, capital da província de Henan, no centro da China. Calcula-se que tenham sido deslocadas cerca de 200 mil pessoas e já foram contabilizadas 18 mortes, segundo o South China Morning Post.
Em Zhengzhou, caíram 617 litros de chuva nos últimos três dias, uma quantidade semelhante à média anual de precipitação na cidade. Segundo meteorologistas dos media locais, esta precipitação é algo que acontece uma vez em cada “mil anos”. A chuva intensa levou a que vários riachos transbordassem na vasta bacia do rio Amarelo.
Segundo o El Pais, o exército chinês foi mobilizado perante o risco de colapso de duas barragens: uma próximo da cidade de Zhengzhou, cidade de 10 milhões de habitantes situada a 650 km a sudoeste de Pequim; outra próximo da cidade de Luoyang, que tem cerca de sete milhões de habitantes, e que o exército anunciou que pode “colapsar em qualquer momento”. As autoridades chinesas estão sobretudo preocupadas com a possibilidade de derrocadas nestas barragens e em outras mais pequenas.
Em Zhengzhou, bairros inteiros foram inundados de chuva e lama, muitas pessoas foram arrastadas pela força da água com as avenidas transformadas em rios. Há hospitais inundados e sem eletricidade, estações de metro também inundadas e carruagens com pessoas que tentam proteger-se da corrente de água. 12 das pessoas falecidas morreram numa linha de metro inundada.
A eletricidade foi cortada no centro da cidade por causa da chuva, segundo refere notícia da Lusa/TSF.
No vídeo abaixo, do canal Fobos Planet, pode ver imagens impressionantes:
As chuvas torrenciais levaram a que fossem suspensos os autocarros, que funcionam a eletricidade, segundo contou um sobrevivente à Reuters, acrescentando que, sem poder usar o autocarro, “muitas pessoas apanharam o metro e ocorreu a tragédia”.
A província de Henan é um importante centro logístico com importantes empresas de telecomunicações e de automóveis. Muitas interromperam a produção e procuraram proporcionar alojamento e alimentação aos seus empregados. Muitas pessoas tiveram que se abrigar em bibliotecas, museus e salas de cinema.
Vários hospitais, entre os quais o da Universidade de Zhengzhou, o maior da cidade, ficaram sem eletricidade e sem abastecimento de reserva, pelo que tiveram de providenciar transporte para cerca de 600 doentes em estado crítico.
Habitualmente, a China tem inundações durante o verão. Porém, o crescimento das cidades e a conversão de terras agrícolas aumentaram a impermeabilidade dos solos e o impacto das chuvas, refere a Lusa, salientando que, no ano passado, os níveis das cheias no sudoeste do país bateram recordes, destruindo estradas e obrigando dezenas de milhares de habitantes a abandonarem as suas casas.