Está aqui

Grande Barreira de Coral continua em risco

A Austrália pressiona a UNESCO para não declarar os recifes como espécies ameaçadas, para proteger receitas do turismo. Os cientistas continuam pouco confiantes com a possibilidade de recuperação dos danos provocados aos recifes pelas alterações climáticas.
O aumento da temperatura da água nos oceanos queima os corais que morrem, ficando brancos. Foto de Vlassoff Cay, via EPA/Lusa.
O aumento da temperatura da água nos oceanos queima os corais que morrem, ficando brancos. Foto de Vlassoff Cay, via EPA/Lusa.

A Grande Barreira de Corais na Austrália está há décadas sob stresse térmico devido ao aumento da temperatura média dos oceanos, provocada pelas alterações climáticas, com centenas de quilómetros de corais a perderem a cor quando morrem, inviabilizando todo o rico ecossistema que aí se desenvolvia.

Para os cientistas do Instituto Australiano de Ciência Marinha, as perspetivas de recuperação continuam "muito fracas" apesar da recuperação verificada em 2020.

A UNESCO recomendou em junho que o maior sistema de recifes do mundo fosse colocado na lista de espécies ameaçadas por causa dos danos aos corais causados em grande parte pelas alterações climáticas, decisão que deverá ser tomada na próxima reunião daquela agência da ONU, no próximo dia 23 de julho, quarta-feira.

Os cientistas pesquisaram 127 locais de recife em 2021 e descobriram que a cobertura de corais duros aumentou em 69 dos 81 locais pesquisados nos últimos dois anos.

Britta Schaffelke, diretora do programa de pesquisa do instituto australiano, disse à AFP que as últimas descobertas fornecem "um vislumbre de esperança" de que o recife "ainda tenha resiliência", noticia a agência Lusa.

Contudo, "as perspetivas para o futuro ainda são muito más devido aos perigos da mudança climática e outros fatores que afetam os organismos que compõem o recife".

A Austrália tem vindo a resistir aos apelos para se comprometer com uma meta de emissões líquidas zero até 2050, com o primeiro-ministro, Scott Morrison, a dizer que o país espera alcançar a neutralidade em carbono "o mais rápido possível" sem prejudicar sua economia.

Camberra tem pressionado a UNESCO para evitar que a Grande Barreira de Corais seja considerada ameaçada devido às receitas de turismo de cerca de 4,8 mil milhões de dólares gerados em torno do recife.

Termos relacionados Ambiente
(...)