Perante a ameaça de não receber a próxima parcela do resgate em vigor, o ministro da Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, anunciou este domingo um novo imposto sobre o imobiliário, que vai afectar todos os proprietários de casas. Atenas vai cobrar, em média, quatro euros por cada metro quadrado, oscilando entre um mínimo de 50 cêntimos nas zonas mais pobres e um máximo de 10 euros nas áreas mais ricas do país. A medida vai durar dois anos. Além disso, o Governo decidiu também cortar um mês de salário a todos os políticos.
As novas medidas de austeridade de emergência foram aprovadas num conselho de ministros extraordinário, depois de o primeiro-ministro grego, George Papandreou, ter dito no sábado que a prioridade é "salvar o país da bancarrota" e garantido que irá fazer tudo o que for necessário para atingir as metas orçamentais.
"Tomámos esta decisão para evitar a catástrofe para o nosso país e os nossos cidadãos. Vamos permanecer no euro e isso significa decisões difíceis", disse o ministro das Finanças, sublinhando que o Governo "decidiu enfrentar uma situação especialmente nefasta à Grécia na Europa e nos mercados, fazendo um novo esforço nacional". Esta segunda-feira o adjunto do ministro das Finanças admitiu que o país só tem dinheiro até ao próximo mês.
As duas medidas vão ajudar o Governo a atingir as metas do défice de 17,1 mil milhões de euros em 2011 e de 14,9 mil milhões de euros em 2012, colmatando uma derrapagem orçamental de dois mil milhões de euros para este ano, motivada pelo agravamento da recessão, que será perto de 5 por cento do PIB este ano, pior que a contracção de 3,8 por cento esperada em Junho.
Bruxelas intensifica pressão sobre a Grécia
Em reacção ao anunciado pelos gregos, o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, afirmou que as decisões tomadas demonstram o compromisso do país para atingir as metas orçamentais este ano e no próximo e anunciou que a Comissão Europeia vai enviar, nos próximos dias, uma equipa de especialistas a Atenas para concluir um acordo sobre o eventual pagamento de uma nova tranche de empréstimos até final de Setembro.
Nos últimos dias, responsáveis da União Europeia e do Fundo avisaram que a próxima fatia da ajuda à Grécia não está garantida e que o Governo tem de cumprir as metas orçamentais acordadas. Isto depois de terem sido suspensas de uma forma intempestiva as negociações entre o Executivo grego e a missão da troika que se encontrava em Atenas.
Em entrevista ao jornal alemão Der Tagesspiegel, a chanceler alemã, Angela Merkel, revelou que pediu ao Governo grego que não desista do seu esforço reformista e reiterou que as ajudas europeias só irão para a frente se Atenas cumprir com as condições impostas para o resgate.
Esta semana poderá ser decisiva para a Grécia. O FMI reúne de emergência na quarta-feira para decidir se o país tem condições de receber uma nova parcela do actual resgate. Um dia depois acontece a reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Ecofin), que também tem no topo da agenda a situação da Grécia.
Protesto em Salónica acabou em confrontos com a polícia
A marcha anti-austeridade d este sábado, em Salónica (norte da Grécia), desembocou em confrontos violentos entre a polícia e manifestantes. As autoridades chegaram a disparar granadas de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.
Ao protesto contra a submissão do Governo grego à austeridade imposta pela troika, que teve lugar na segunda maior cidade da Grécia, juntaram-se centenas de taxistas que prosseguem os protestos contra a liberalização da sua actividade.
Centrais sindicais e diversos grupos políticos e de cidadãos convocaram manifestações por todo o país, no dia do discurso do primeiro-ministro George Papandreou sobre a situação económica.
Grécia cede à pressão externa e avança com mais austeridade
12 de setembro 2011 - 11:40
O Governo grego anunciou este domingo um novo imposto sobre o imobiliário e o corte de um mês de salário aos políticos, no dia a seguir aos confrontos entre manifestantes e polícia, em Salónica, no decurso de um protesto anti-austeridade. Acordo sobre nova tranche de empréstimos previsto para o fim do mês.
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Confrontos em Salónica, Grécia. Foto de Stelios Matsagos