Reagindo à notícia de que há mais inscritos nos centros de emprego do país, milhares dos quais professores, que se registou um aumento do desemprego de longa duração de 24%, e que o desemprego jovem atinge os 40%, a coordenadora nacional do Bloco afirmou que “em ambos os desesperos, “há algo que é comum: a política agressiva do PSD/CDS-PP, esta destruição do país e da economia e abandonar quem mais precisa quando mais precisa”.
Catarina Martins lembrou ainda que “no dia 17 de setembro será debatido um projeto do Bloco de Esquerda em nome da dignidade de quem está sem emprego por causa da política destruidora do Governo”. A proposta inclui a majoração do subsídio de desemprego, no tempo de atribuição e no valor, aos casais em que ambos estão desempregados, às famílias monoparentais e aos desempregados com dependentes com deficiência ou doença crónica.
“Privatização dos CTT é um insulto ao país”
A dirigente bloquista frisou que “a crise é uma oportunidade dourada para alguns negócios”, exemplificando com a privatização dos CTT. Esta venda, por 600 milhões de euros, “uma borla”, segundo Catarina Martins, inclui uma licença bancária, o que implica que quem está a comprar os CTT está já a comprar um serviço bancário com o maior número de balcões espalhado pelo país.
E isto “ao mesmo tempo que o Governo vira as costas a quem cá trabalha, quem cá vive, e retira as oportunidade e as possibilidades a todas as gerações”, lamentou a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, para quem a “privatização dos CTT é um insulto ao país”.
Segundo a deputada, Pedro Passos Coelho deveria pôr uma tabuleta à entrada de Portugal com a inscrição “Vende-se por 'tuta e meia' tudo o que foi construído por quem trabalha neste país”.
Catarina Martins afirmou ainda que o Governo está a fazer com os CTT aquilo que pretende fazer noutros setores, como a água, e que esta onda de privatizações “não choca” o PS.
“Temos de ter uma esquerda de confiança que não seja tímida nem se intimide face aos grandes grupos económicos ou nada estará seguro, e por isso sabemos que nestas autárquicas precisamos de mais Bloco de Esquerda”, salientou.
Lembrando o processo de privatização da EDP, e a contrapartida de construção de uma fábrica de turbinas que, afinal, não vai acontecer, a coordenadora do Bloco frisou que “os negócios das privatizações nunca, mas nunca, são bom negócio para o país” e criticou o Governo por ser “sempre tão fraco para com os fortes e tão violento para com quem está mais frágil, para com quem trabalha neste país”.
Catarina Martins falou ainda sobre a importância de eleger um maior número de autarcas do Bloco nas próximas eleições de 29 de setembro.
“Os eleitos e eleitas do Bloco de Esquerda são mais necessários do que nunca na defesa da democracia, da participação, da transparência, na luta contra o negócio privado que arruína o que é de todos, na exigência certa em nome de todas e de todos mas também nas propostas que realmente importam e na obrigação essencial que as autarquias vão ter nos próximos sociais: proteger o que é público em nome de todos e responder à urgência social”, adiantou a dirigente bloquista.
Durante um jantar de abertura da campanha eleitoral autárquica do Bloco de Esquerda em Salvaterra de Magos, que teve lugar no Restaurante Zé do Moinho, Catarina Martins elogiou o trabalho desenvolvido pela atual presidente de Câmara Municipal, Ana Cristina Ribeiro.
"A Anita deu uma lição de democracia e de república a este país. Dedicou a sua vida de representação publica a Salvaterra, cumpriu os seus mandatos e não foi a correr para ser candidata a presidente noutro concelho do país. Não. É em Salvaterra que foi eleita e é em Salvaterra que fica", avançou a coordenadora nacional do Bloco.
“Mas deu outra lição”, avançou Catarina Martins, sublinhando que “é possível haver desenvolvimento, ter infraestruturas e não deixar famílias abandonadas, tendo rigor, respeito e exigência”.
Catarina Martins participou ainda na apresentação do programa da candidatura do Bloco de Esquerda no Entroncamento - “Acreditar na mudança”, que se realizou no Mercado dos Sabores e contou com intervençõesde Carlos Matias (candidato à CM do Entroncamento) e Henrique Leal (mandatário da candidatura).