Governo quer alugar médicos à hora, estudantes protestam contra falta de vagas para internato

01 de junho 2012 - 0:16

O Governo promove concurso ilegal para a contratação de empresas de aluguer de médicos à hora. O Bloco de Esquerda considera que se trata de um ataque às carreiras médicas, à qualidade dos cuidados de saúde e ao SNS, reclama anulação do concurso e contratação direta de médicos. Mais de mil estudantes de medicina protestaram contra a falta de vagas para o internato médico.

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Bloco defende que o Governo “deve abrir de imediato concursos” para a colocação de médicos nos centros de saúde e hospitais do país e fazer a sua contratação direta, dispensando quaisquer intermediários privados, com os quais se desbarata e desperdiça dinheiro público” -Foto de Alex E. Proimos/Flickr

O governo, através da central de compras do Ministério da Saúde, abriu um concurso para contratar “médicos em pacote” e através de empresas de aluguer de médicos à hora, em todo o país e para diversas especialidades, tendo como único critério de seleção "o mais baixo preço unitário por hora".

O Bloco de Esquerda considera que o governo está a tratar o trabalho médico como qualquer outra mercadoria, “não se vislumbrando qualquer preocupação com a qualidade da medicina praticada e a organização das equipas prestadoras de cuidados de saúde”.

Este concurso é ilegal, porque viola a legislação laboral e a negociação coletiva, e, alerta o Bloco, é aberto no momento em que decorrem arrastadas "negociações" entre os sindicatos dos médicos e o governo sobre grelhas salariais, carreiras médicas e outras questões laborais, traduzindo uma “inaceitável chantagem sobre o processo negocial”.

Para o Bloco de Esquerda “nunca houve um tão insidioso e perigoso ataque às carreiras médicas, à organização e qualidade dos cuidados de saúde e ao SNS”. O partido lembra que há muito alerta para a falta de médicos e defende que o Governo “deve abrir de imediato concursos” para a colocação de médicos nos centros de saúde e hospitais do país e fazer a sua contratação direta, dispensando quaisquer intermediários privados, com os quais se desbarata e desperdiça dinheiro público”.

Entretanto nesta quinta feira, mais de mil estudantes de medicina concentraram-se em frente ao ministério da Saúde em protesto contra a falta de vagas para o internato médico, fundamental para exercerem a profissão. Segundo a Lusa, os estudantes vestiam batas brancas e ostentavam ao peito “senhas de espera”. O problema surge porque a capacidade do internato médico é apenas de 1.500 vagas, enquanto que o número de licenciados chega aos dois mil em cada um dos próximos anos. Manuel Abecassis, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), diz que “são diplomados em medicina, que não vão poder terminar a formação”, acrescentando que “muitos, se calhar, vão ter que completar o curso lá fora, nos países onde isso é possível”.