Governo opta por “política de apoios pontuais para rejeitar o essencial”

14 de dezembro 2022 - 19:09

Pedro Filipe Soares criticou a política baseada em apoios pontuais do Governo e defendeu a valorização de salários e pensões. José Gusmão diz que acenar com apoios para esconder cortes definitivos é "uma política que deveria envergonhar qualquer socialista”.

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Foto de António Pedro Santos, Lusa.

Reagindo ao anúncio do primeiro-ministro sobre o pagamento de uma prestação extraordinária de 240 euros para as famílias que recebem prestações mínimas ou que beneficiam da tarifa social da energia, o líder parlamentar do Bloco assinalou que esta “é mais uma política de apoios para rejeitar o essencial, que seria o aumento do poder de compara através da valorização de salários e das pensões”.

“Nós sabemos que quando é para proteger as pessoas da inflação, do empobrecimento, é através da valorização de salários e de pensões que isso deve ser feito, porque esses são os direitos estruturais”, defendeu.

De acordo com o Bloco, "um Governo que rejeita aumentar salários, que rejeita controlar preços e que prefere ter uma política baseada em apoios pontuais, quando tem os cofres cheios para mostrar a Bruxelas, é um Governo que rejeita direitos, rejeita a valorização dos salários e das pensões, e assume claramente uma política de empobrecimento do país”.

Pedro Filipe Soares enfatizou que “quatro em cada cinco famílias irão empobrecer e mesmo aqueles que receberão o apoio terão uma perda do poder de compra que não compensa o enorme aumento de custos no supermercado, bombas de gasolina e habitação”.

José Gusmão critica “política que deveria envergonhar qualquer socialista”

O eurodeputado José Gusmão também reagiu ao anúncio desta medida nas redes sociais, considerando-a "uma medida caritativa para evitar um excedente em ano de crise”. E contrapôs que este apoio de 240 euros pago apenas em dezembro “não compensa, nem de perto nem de longe, a perda real de rendimento em 2022 e é uma medida extraordinária, enquanto o corte real é definitivo".

Para o eurodeputado bloquista, "acenar com apoios pontuais para esconder cortes definitivos" é "uma política que deveria envergonhar qualquer socialista”.

Gusmão fazia referência ao estudo recente do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social, o qual avalia a evolução recente dos salários em Portugal. Uma das conclusões a reter deste estudo é a queda do salário médio real para níveis de 2019. Ele aponta que "os salários reais começaram rapidamente a regredir com o surto inflacionário vivido a partir da primeira metade de 2021” e que “em fevereiro de 2022, o valor real da remuneração bruta mensal era equivalente a janeiro de 2020 – ou seja, um recuo de dois anos. Em julho de 2022, o valor da remuneração bruta mensal estava já ao nível de julho de 2019 – ou seja, um recuo de três anos. E esta situação manteve-se em agosto e setembro de 2022 – última data para a qual estão disponíveis dados”.