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Governo inclui nos apoios empresas que fazem despedimentos

As novas linhas de crédito que incluem apoios a fundo perdido destinam-se também a empresas que despeçam até um terço dos trabalhadores. Inquérito da CIP diz que uma em cada três grandes empresas prevê despedir já neste trimestre.
Fábrica de calçado em Santa Maria da Feira.
Fábrica de calçado em Santa Maria da Feira. Fotografia de Paulete Matos.

Segundo a notícia do Jornal de Negócios, as novas linhas de crédito garantido pelo Estado, que incluem a possibilidade de converter até 20% do valor do empréstimo num apoio a fundo perdido, também se destinam às empresas que promovam despedimentos durante a vigência do empréstimo. O montante máximo deste financiamento é de quatro mil euros por posto de trabalho e destina-se a micro, pequenas e médias empresas, bem como empresas de pequena e média capitalização que empregam até três mil pessoas.

“As empresas que reduzam a força de trabalho em até um terço continuam a poder beneficiar do apoio a fundo perdido, que apenas será reduzido na proporção correspondente à diminuição dos postos de trabalho”, refere o Jornal de Negócios, que não conseguiu uma resposta do Ministério da Economia até ao fecho da edição.

Inquérito da CIP faz antever nova vaga de despedimentos até março

Os dados são da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e indicam que uma em cada três das grandes empresas conta despedir trabalhadores durante o primeiro trimestre deste ano.

A conclusão é feita a partir de dados recolhidos junto de 735 empresas em dezembro, não contando por isso com os dados do agravamento da pandemia e as atuais medidas de restrição em vigor, que levaram ao encerramento de muitas atividades com prestação de serviços ao público. Ainda assim, apontam para o agravamento de uma série de indicadores em comparação com os dados recolhidos em novembro de 2020, relata o Diário de Notícias.

São agora mais as empresas a prever uma quebra das vendas e encomendas e a contar despedir trabalhadores no futuro próximo. A CIP revela ainda que aumenta também o número de empresas a “derrapar nos prazos de pagamento”.

As maiores empresas são aquelas que mais contam despedir trabalhadores. “Há 32% que pretendem reduzir o número de postos de trabalho, comparando com 20% nas microempresas, 15% nas pequenas empresas e 12% nas médias empresas”, explica o jornal.

Analisando todas as 735 empresas em conjunto, 18% destas contam despedir, uma aparente descida face aos 21% do inquérito de novembro.

As microempresas parecem ser as mais penalizadas com a perda de receitas, com 63% a relatarem perdas. Entre as pequenas, médias e grandes empresas a perda de faturação ronda os 51%.

No final de 2020, 22% das empresas inquiridas diziam ter aumentado os prazos de pagamento (antes o valor era de 18%) e 33% afirmaram um aumento nos prazos de recebimento (29% no inquérito anterior).

O DN explica ainda que a 1 de janeiro “havia também mais empresas a reportar quebra na carteira de encomendas: 40% (contra 37% um mês antes), sendo que para 26% mantinham-se e para 8% havia um aumento”. Este é um indicador relevante na indústria, mas não é aplicável a 26% dos negócios inquiridos.

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