Documentos tornados públicos no Reino Unido mostram até que ponto o governo de Tony Blair esteve envolvido em práticas ilegais de rapto de cidadãos britânicos e de tortura, colaborando activamente com a política de “rendições extraordinárias” da administração de George W. Bush a seguir ao 11 de Setembro de 2001, incluindo as transferências para Guantánamo.
Os documentos, cerca de 900, são parte de um grande volume (mais de 500 mil) que ainda está a ser analisado. Foram desclassificados por força dos processos civis movidos por seis ex-detidos de Guantánamo contra o MI5 e o MI6 (serviços de espionagem), os ministérios do Interior e dos Negócios Estrangeiros e o gabinete do Procurador-Geral.
Os documentos comprovam que agentes do MI5 pouca importância deram ao facto de os cidadãos britânicos que interrogaram terem sido submetidos a tortura pelos americanos e, mais ainda, que ficaram contentes por verificarem que a tortura continuava. Além disso, o manual dos procedimentos do MI6 recomenda que os agentes envolvidos na captura de um suspeito avaliem se o objectivo da operação é detê-lo em vez de matá-lo.
Os documentos também revelam que o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu que a melhor opção para os detidos britânicos no Afeganistão era a transferência para Guantánamo. O governo britânico chegou mesmo a impedir a sua própria diplomacia de dar apoio consular a um cidadão britânico detido na Zâmbia, para evitar o seu regresso ao Reino Unido – e fazendo assim com que ele também fosse transferido para Guantánamo.
Em Maio, desde que um tribunal de relação britânico rejeitou um apelo por parte das autoridades para manter os documentos secretos, as autoridades começaram a tentar um acordo com os seis presos, até agora sem sucesso.