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Governo britânico quer proibir referências anticapitalistas nas escolas

Entre os exemplos de “políticas extremas” a eliminar, está o “interesse declarado publicamente em eliminar ou derrubar a democracia, o capitalismo ou acabar com as eleições livres e justas”. Antigo porta-voz dos trabalhistas acusa os conservadores de quererem excluir a história do sindicalismo das matérias lecionadas.
Boris Johnson
Foto de Boris Johnson | Facebook

Tal como informou o The Guardian, o governo britânico exigiu aos estabelecimentos escolares da Inglaterra que não lecionem matéria sobre organizações anticapitalistas. As diretrizes do ministério da Educação dirigidas aos responsáveis escolares e professores que participam no plano de estudos sobre a educação sexual e saúde qualifica o anticapitalismo como uma “posição de política extrema”.

De acordo com as diretrizes, “as escolas não devem, em nenhuma circunstância, utilizar recursos produzidos por organizações que pratiquem posições políticas extremas na matéria em questão”. O ministério considera como políticas extremas “o interesse declarado publicamente de acabar com a democracia, o capitalismo, ou de pôr fim às eleições livres e justas”.

O documento governamental já despoletou inúmeras críticas, como por exemplo, as do antigo porta-voz da oposição trabalhista, John McDonnell, que considera que as medidas proíbem, na prática, a referência a acontecimentos históricos do Reino Unido e que simbolizam o crescente “autoritarismo” dentro do partido conservador.

McDonnell afirma que “sob esta desculpa, será ilegal referir-se a grandes partes de história e da política britânica, inclusive a história do socialismo britânico, o Partido Trabalhista e o sindicalismo, que em diferentes momentos exigiu a abolição do capitalismo” e acrescenta que “a deriva para o autoritarismo conservador extremo está a crescer e deveria preocupar qualquer pessoa que acredite que a democracia requer liberdade de expressão e uma população formada”.

Para o escritor e ativista Tariq Ali, as novas diretrizes são um sinal de “bancarrota moral e política”, mas acredita que não vão ter sucesso porque “se se coloca coisas numa lista proibida, muitos jovens podem aceder a elas pela internet. Proibir nas escolas não vai funcionar”.

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