Quando Joe Berardo aceitou entregar os títulos da Associação Coleção Berardo como garantia no processo de restruturação dos seus empréstimos obtidos junto da Caixa Geral de Depósitos, BCP e BES, já tinha planeado a forma de blindar as obras de arte para que os bancos nunca udessem executar a garantia e ficar com as obras. Esta é a conclusão a que chegou a deputada bloquista Mariana Mortágua após ter recebido uma parte dos documentos enviados pela Associação Coleção Berardo.
“Em outubro de 2013 alteram-se os estatutos da associação dona da coleção para que os credores passem a integrar os estatutos e passem a ter poder nas assembleias", mas "nesse mesmo mês há um testa-de-ferro assessorado por um advogado primo do advogado de Berardo que põe estes [novos] estatutos em tribunal dizendo que não se pode dar em penhor património de uma associação”, afirmou a deputada num debate na TSF sobre o andamento do inquérito parlamentar.
Para Mariana Mortágua, "Berardo só aceitou dar a coleção em garantia porque já tinha preparado manigâncias jurídicas para complicar o processo”. Ou seja, "houve falcatrua e um golpe dado por Berardo ao alterar os estatutos ou ter posto os estatutos [alterados em 2013] em tribunal através de um testa-de-ferro ou ter aumentado o capital sem avisar ninguém”, faltando ainda saber a razão pela qual “os bancos aceitam um bem destes dado em penhora, que se percebe que está cheio de buracos”.
Novas informações sobre o golpe de Berardo
(Parte II) pic.twitter.com/GLpf5b2KXd— mariana mortágua (@MRMortagua) July 2, 2019
A documentação entregue pela associação à comissão de inquérito que investiga alguns dos empréstimos ruinosos da Caixa não contém no entanto elementos que permitam explicar o processo do aumento de capital que acabou por diluir as posições dos bancos credores. Por essa razão, os deputados já anunciaram que vão entregar uma queixa ao Ministério Público.