Fundos para habitação têm de ir para investimento público e não para os negócios imobiliários

10 de julho 2021 - 13:00

Catarina Martins e Sérgio Aires, candidato à Câmara Municipal do Porto, estiveram com os moradores do Bairro da Lapa, no centro da cidade, uma zona que sofre “com turismo desregulado” e “ausência de políticas públicas para habitação que deixam a cidade entregue aos grandes interesses imobiliários”.

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Mário Moutinho (candidato à união freguesias do centro histórico do Porto); Susana constante Pereira (candidata à AM Porto) e Sérgio Aires acompanharam Catarina Martins nas conversas com moradores do Bairro da Lapa. Foto de Mário Cruz, Lusa.
Mário Moutinho (candidato à união freguesias do centro histórico do Porto); Susana constante Pereira (candidata à AM Porto) e Sérgio Aires acompanharam Catarina Martins nas conversas com moradores do Bairro da Lapa. Foto de Mário Cruz, Lusa.

Na zona da Lapa, no centro do Porto, e acompanhada pelo candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal do Porto, Sérgio Aires, Catarina Martins falou sobre “a enorme desigualdade no centro da cidade”. Nesta zona é possível ver casas sem qualquer manutenção onde vivem pessoas de muita idade, e que coabitam com ilhas de alojamento local. Do outro lado da rua, a construção de um novo hotel “num local para onde estava prometido um espaço verde”.

O Bairro da Lapa, construído de forma cooperativa entre os moradores, “é um dos melhores exemplos do nosso país da conquista de habitação com dignidade”, diz Catarina. Mas a evolução dos últimos anos mostra “dois problemas fundamentais”.

Em primeiro lugar, a forma como o licenciamento desregulado do turismo “levou à expulsão de tanta gente da sua casa” sem nenhuma solução. Depois, mostra como a ausência de políticas públicas para habitação deixa as cidades “entregues aos grandes interesses imobiliários” que vivem “de bolha especulativa em bolha especulativa sem nenhuma preocupação com o direito à habitação”.

O bairro, por ser gerido por uma associação de moradores, não conseguia ter acesso a financiamento. “Quando ouvimos falar das bazucas de investimento no país, perguntamos: com que regras? Porque se as regras não forem alteradas, o dinheiro supostamente para habitação continuará a ser absorvido pelos grandes negócios imobiliários”, relembra Catarina.

O que é necessário, diz, é “garantir que os fundos são investidos num parque habitacional público que garanta rendas acessíveis, e para a recuperação das casas das pessoas, que retirem o amianto e respeitem a mobilidade das pessoas”. Projetos como este “provam que é possível outra política de habitação, e é essa política de habitação que o Bloco de Esquerda leva como grande proposta às autárquicas.