Na zona da Lapa, no centro do Porto, e acompanhada pelo candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal do Porto, Sérgio Aires, Catarina Martins falou sobre “a enorme desigualdade no centro da cidade”. Nesta zona é possível ver casas sem qualquer manutenção onde vivem pessoas de muita idade, e que coabitam com ilhas de alojamento local. Do outro lado da rua, a construção de um novo hotel “num local para onde estava prometido um espaço verde”.
O Bairro da Lapa, construído de forma cooperativa entre os moradores, “é um dos melhores exemplos do nosso país da conquista de habitação com dignidade”, diz Catarina. Mas a evolução dos últimos anos mostra “dois problemas fundamentais”.
Em primeiro lugar, a forma como o licenciamento desregulado do turismo “levou à expulsão de tanta gente da sua casa” sem nenhuma solução. Depois, mostra como a ausência de políticas públicas para habitação deixa as cidades “entregues aos grandes interesses imobiliários” que vivem “de bolha especulativa em bolha especulativa sem nenhuma preocupação com o direito à habitação”.
O bairro, por ser gerido por uma associação de moradores, não conseguia ter acesso a financiamento. “Quando ouvimos falar das bazucas de investimento no país, perguntamos: com que regras? Porque se as regras não forem alteradas, o dinheiro supostamente para habitação continuará a ser absorvido pelos grandes negócios imobiliários”, relembra Catarina.
O que é necessário, diz, é “garantir que os fundos são investidos num parque habitacional público que garanta rendas acessíveis, e para a recuperação das casas das pessoas, que retirem o amianto e respeitem a mobilidade das pessoas”. Projetos como este “provam que é possível outra política de habitação, e é essa política de habitação que o Bloco de Esquerda leva como grande proposta às autárquicas.