França e Alemanha querem fechar fronteiras cedendo à extrema direita

20 de abril 2012 - 14:54

Um projeto franco-alemão, que surge no período das eleições presidenciais francesas, permite o restabelecimento de controlos fronteiriços nacionais na União Europeia durante 30 dias sem necessitar de autorização da UE.

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A Esquerda Unitária no PE considera que o projeto franco-alemão é uma cedência "aos nacionalismos e à extrema direita populista".

A Esquerda Unitária no Parlamento Europeu considera o projeto franco-alemão de restabelecer controlos fronteiriços por prazos de 30 dias como uma cedência "aos nacionalismos e à extrema direita populista".

"Este encorajamento aos populismos de direita que decorre perto das eleições presidenciais francesas é uma manobra tão pouco transparente como perigosa", disse em plenário a presidente do GUE/NGL, Gabi Zimmer deputada do partido alemão Die Linke, em nome do grupo da Esquerda Unitária. "Condeno vivamente uma tal iniciativa que procura limitar a liberdade dos povos na Europa", acrescentou.

“Esconder-se nos nacionalismos e agitar o espectro da imigração foi sempre a estratégia dos populismos de direita e dos inimigos de extrema direita da União Europeia", sublinhou Zimmer. "É altura de eles se rirem nas barbas de quem toma a decisão porque as fronteiras abertas são o coração da União Europeia”, disse Gabi Zimmer.

A presidente da Esquerda Unitária afirmou que a referência à “soberania nacional” se inscreve na estratégia de Merkel, que ambiciona tomar todas as decisões importantes entre os governos, à margem dos Parlamentos. Esta manobra, especificou, é também um ataque contra o parlamentarismo europeu, põe em causa a própria ideia de Europa. “Até onde isto nos irá levar?”, perguntou.

Em relação à imigração, Gabi Zimmer salientou que vez de a utilizarem, assim como à liberdade de movimentos, como “munições eleitorais, os autoproclamados Estados centrais da Europa deveriam antes inquietar-se de modo a que os direitos fundamentais dos imigrantes na União Europeia sejam respeitados”.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu