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FMI e Comissão Europeia falham nas previsões sobre impacto da austeridade

Nas suas previsões, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia subestimaram o impacto das medidas de austeridade na economia, nomeadamente no que respeita ao aumento do desemprego e da diminuição da procura interna. A conclusão é do economista chefe do FMI, Olivier Blanchard.
Foto de International Monetary Fund, flickr.

No estudo Growth Forecast Errors and Fiscal Multipliers, da autoria de Olivier Blanchard e Daniel Leigh, publicado na quinta feira, os economistas do FMI adiantam que os multiplicadores orçamentais usados nas previsões sobre o impacto das medidas de austeridade na economia não estavam corretos, subestimando o efeito da contenção orçamental na contração económica dos países.

Esta inexactidão determinou o falhanço das previsões da troika, que não traduziram a verdadeira dimensão do aumento do desemprego e da diminuição procura interna e do investimento nos países que implementaram políticas de forte contenção orçamental.

No relatório, citado pelo jornal Público, os economistas adiantam que, para o período de 2010 a 2011, o multiplicador orçamental utilizado para os países europeus era mais baixo do que devia em um ponto e que, nas previsões para 2012, a inexactidão dos multiplicadores utilizados manteve-se. Neste caso, os erros situam-se entre 0,3 e 0,5 pontos.

A par da falibilidade das previsões avançadas pela troika, as previsões apresentadas pelo executivo do PSD/CDS-PP há muito que entraram em descrédito. Em novembro de 2011, Pedro Passos Coelho apresentava o Orçamento do Estado para 2012 como “o orçamento de estabilização da economia portuguesa" que iria preparar “a recuperação económica do país".

Em 2012, a recessão aprofundou-se, com a taxa de desemprego a agravar-se e as receitas fiscais e o consumo interno a registarem fortes quebras (ler artigo Pequena história do grande ajustamento”).

Para 2013, o governo volta a anunciar um ano de “inversão” e “preparação da recuperação económica”, contudo, certo é que quando forem conhecidos os dados da execução orçamental do primeiro trimestre, o défice e a dívida estarão piores e que, em fevereiro, por altura da sétima avaliação da troika, o governo apresentará o próximo plano de austeridade, que inclui cortes de 4 mil milhões de euros nas despesas sociais do Estado.

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